O Dia Internacional da Paz e o Dia da Árvore encontraram-se de mãos dadas no mesmo dia, dia 21 de setembro. Datas importantes, para refletirmos sobre o nosso mundo atual e o que estamos fazendo para manter azul o nosso planeta Terra. Falava com uma amiga, nesse dia, que precisamos, todos, fazer alguma coisa. Logo. Sei que sozinhos não conseguimos muito, mas há muito que podemos fazer para começar a mudar o mundo a nossa volta. Prestar atenção no outro, ver o que ele está precisando, dividir o pouco que temos, para proporcionar algum momento de alívio, de paz, que é o que todos precisamos. Cuidar para não poluir o meio-ambiente, não abandonar animais, pelo contrário, cuidar deles quando são abandonados. Tudo isso é pouco, mas se cada um de nós fizermos esse pouco, em nossas comunidades, imaginem quanta coisa pode mudar. Eu faço isso e vejo alguma mudança, mesmo que momentânea, na vida de algumas pessoas. É por aí que podemos começar.

E então, em seguidinha do Dia da Paz e da Árvore, vem a Primavera, que significa renovação da vida, recomeço, esperança num futuro com mais perspectivas, e ela me diz, com serenidade: “Calma, estou aqui, eu retornei, lembra? Ainda há esperança. Há vida.”

Então vejo as cores e o verde, o céu azul e respiro fundo. Ela tem razão. Estamos tendo um voto de confiança. Mas até quando? A próxima primavera virá? Será igual a esta? Estaremos aqui para vê-la?

Sim, eu sei, devo agradecer por esta primavera que está aí, é um privilégio poder recebê-la. Mas precisamos fazer alguma coisa para que no próximo ano tenhamos de novo uma primavera , para que possamos viver uma nova primavera tão colorida e tão iluminada como esta.

E a paz? Teremos uma primavera com paz? O mundo está em polvorosa, literalmente explodindo, o ser humano está cada vez mais violento, provocando mais e mais guerras, praticando o terrorismo, afundando na corrupção. Claro, não são todos, felizmente. E aqueles que ainda resistem é que poderão mudar o mundo, gente que ainda é gente, que tem o poder da honestidade e do bom senso, do amor ao próximo e à natureza.

A natureza está cobrando nosso descaso para com ela, para com o planeta onde nos foi dado viver: ao mesmo tempo em que nos dá a primavera, sinal de vida, de renascença, nos impõe fenômenos climáticos extremos, como furacões, terremotos, incêndios, enchentes, para nos lembrar que não estamos correspondendo a sua boa vontade.

De maneira que está aí a primavera. Se teremos outras, assim, cheias de cor, de natureza, de luz, depende de nós, de renascermos para ela, de repensarmos nossas ações, de usufruir do tanto que temos, de tentar retribuir. Vamos construir, desde já, as novas primaveras que virão? Só temos que ser mais humanos, só temos que voltar a ser humanos de verdade.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor
– Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA,
que completa 37 anos de literatura neste ano de 2017.
Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras.

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