A descoberta de uma falha capaz de comprometer milhares de sites reacendeu o alerta para ataques hackers em todo o mundo. O problema mobilizou governos e empresas, que precisaram adotar medidas emergenciais para evitar invasões e interrupções de serviços digitais.
No Espírito Santo, o assunto ganha relevância diante dos ataques registrados em agosto, quando sistemas de prefeituras e outros órgãos públicos foram invadidos. Embora não haja indicação de que os episódios estejam relacionados à vulnerabilidade identificada agora, os casos mostram as consequências que brechas tecnológicas podem trazer para instituições e usuários.
Para Lucas Pires, Head de Infraestrutura, Cloud e DevOps da Globalsys, a primeira providência diante de uma ameaça é descobrir quais sistemas estão expostos e avaliar a gravidade do problema.
“É fundamental realizar um levantamento dos servidores, aplicações e serviços que utilizam a tecnologia afetada, identificando suas versões e verificando se estão vulneráveis”, explica.
A partir desse diagnóstico, as empresas devem priorizar a atualização dos sistemas mais críticos, principalmente aqueles conectados à internet. Quando a correção não puder ser feita imediatamente, alternativas incluem restringir acessos, reforçar as regras de firewall e até suspender temporariamente determinados serviços.
Segundo ele, a rapidez é importante, mas as medidas precisam ser planejadas para não comprometer o funcionamento das operações.
Além das atualizações
Um dos principais erros das organizações, segundo Lucas, é concentrar esforços apenas na correção de problemas recém-descobertos. Atualizar um programa vulnerável resolve uma falha específica, mas não impede que outras brechas sejam exploradas.
Senhas comprometidas, configurações inadequadas e permissões de acesso excessivas também podem abrir caminho para criminosos. O avanço da inteligência artificial acrescenta outro desafio, ao permitir a identificação de vulnerabilidades em maior escala.
“A segurança precisa ser tratada como um processo contínuo, envolvendo gestão de vulnerabilidades, atualizações periódicas, controle de acessos, monitoramento, auditorias e capacitação dos colaboradores”, afirma.
O especialista explica que as organizações precisam trabalhar com quatro etapas: prevenção, detecção, resposta e recuperação. A primeira busca reduzir a exposição a ameaças, enquanto a segunda permite identificar movimentações suspeitas antes que provoquem danos maiores.
Quando uma invasão é confirmada, a prioridade passa a ser impedir que ela se espalhe. Isso pode exigir o isolamento de equipamentos, o bloqueio de contas comprometidas e a investigação do incidente.
Recuperação pode ser o maior desafio
Restabelecer os serviços após um ataque pode ser especialmente complexo quando informações essenciais são comprometidas. Por isso, Lucas destaca a importância de definir antecipadamente quais atividades devem ser retomadas primeiro e quanto tempo cada uma pode permanecer indisponível.
Essas decisões fazem parte dos planos de continuidade de negócios e de recuperação de desastres, que orientam a atuação das equipes em situações de emergência.
Os backups, cópias dos arquivos e informações armazenadas, são fundamentais nesse processo. Entretanto, sua existência não garante que os dados possam ser recuperados.
“Possuir backup não significa necessariamente estar preparado. É preciso testar regularmente a restauração dos dados e a recuperação dos sistemas, garantindo que os procedimentos funcionem quando realmente forem necessários”, ressalta.
As cópias devem permanecer protegidas contra alterações indevidas, preferencialmente isoladas do ambiente principal, para evitar que também sejam comprometidas durante uma invasão.
Pequenas empresas também estão expostas
Embora grandes ataques costumem ganhar maior repercussão, negócios de pequeno e médio porte enfrentam ameaças semelhantes, muitas vezes sem contar com profissionais especializados.
Para Lucas, a falta de orçamento não impede a adoção de cuidados básicos. Conhecer os programas utilizados, exigir uma segunda confirmação de identidade para acessar contas e limitar as permissões dos funcionários são algumas das medidas ao alcance dessas organizações.
“A segurança digital não precisa começar com investimentos elevados ou estruturas complexas. Pequenas e médias empresas podem reduzir significativamente seus riscos adotando controles básicos, desde que sejam implementados e mantidos de forma consistente”, destaca.
O especialista reforça que nenhuma organização está completamente livre de ataques. A diferença está na capacidade de reconhecer uma ameaça, conter seus efeitos e restabelecer as atividades com o menor prejuízo possível.










