A inteligência artificial, o acesso remoto aos sistemas da Justiça e novas ferramentas de segurança já fazem parte da rotina de advogados no Espírito Santo. Desde janeiro de 2025, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) contabiliza 19 iniciativas de modernização, entre serviços digitais, automação, IA, segurança e parcerias tecnológicas.
As medidas acompanham uma transformação que já alcançou boa parte da atividade jurídica. Petições, consultas processuais, pesquisas de jurisprudência, contato com clientes e acesso a tribunais e órgãos públicos dependem, em diferentes níveis, de ferramentas digitais.
Segundo a OAB-ES, a estratégia tem como objetivo reduzir deslocamentos e burocracias, facilitar o acesso aos sistemas judiciais e aumentar a segurança dos profissionais.
“A tecnologia precisa estar a serviço das pessoas. Quando damos à advocacia condições para acessar sistemas com mais facilidade, pesquisar de forma mais rápida ou proteger melhor suas informações, estamos falando também de uma defesa mais eficiente dos direitos do cidadão”, afirma a presidente da OAB-ES, Erica Neves.
Inteligência artificial chega à pesquisa jurídica
Entre as ferramentas disponibilizadas está o Navegador OAB-ES, que concentra acessos aos principais tribunais e sistemas utilizados pela advocacia. A plataforma oferece busca e suporte a recursos como PJeOffice e certificado digital.
A inteligência artificial também passou a integrar a pesquisa de jurisprudência. Em parceria com a JurimetriaES, a entidade disponibilizou em seu site uma ferramenta de consulta a decisões do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).
Inicialmente, a pesquisa abrange decisões da área criminal. Na modalidade gratuita, os advogados podem localizar e salvar acórdãos e realizar até 15 interações semanais com inteligência artificial.
A plataforma possui ainda recursos para busca, resumo e análise de decisões, além de ferramentas de jurimetria, que permitem organizar informações por magistrado, tema e assunto. A previsão informada pela OAB-ES é ampliar gradualmente o serviço para outras áreas do Direito.
A entidade também disponibiliza uma calculadora de atualização monetária e um banco de laudos previdenciários.
Serviços reduzem necessidade de deslocamento
Outra frente da digitalização está no acesso remoto a serviços. O INSS Digital permite a realização de requerimentos e o envio de documentos sem atendimento presencial.
Para advogados inscritos na Seccional que estejam no exterior, uma VPN institucional possibilita acesso controlado a sistemas sujeitos a restrições geográficas.
Na área criminal, a OAB-ES afirma ter atuado junto à Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) pela continuidade e ampliação dos Parlatórios Virtuais. O sistema permite que advogados atendam remotamente pessoas custodiadas, mediante agendamento.
A entidade também diz ter atuado pela manutenção e reativação de canais do Balcão Virtual em unidades judiciais.
Golpe do falso advogado amplia preocupação com segurança
A digitalização da advocacia também trouxe um problema que tem mobilizado a categoria: o chamado golpe do falso advogado. Na fraude, criminosos se passam por profissionais para abordar clientes e solicitar pagamentos ou obter informações.
Como resposta, a OAB-ES criou um formulário eletrônico para receber informações e denúncias relacionadas aos golpes e elaborou uma cartilha de segurança digital. A entidade também participou de ações com outras instituições para orientar profissionais e clientes sobre prevenção a fraudes.
Outra iniciativa ocorreu junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com a defesa da utilização de autenticação multifator no Processo Judicial Eletrônico (PJe), recurso que acrescenta uma camada de proteção ao acesso às contas.
“Não existe transformação digital responsável sem segurança. Os golpes mostram que essa deixou de ser apenas uma questão técnica. Estamos falando da proteção de profissionais, clientes e cidadãos”, afirma Erica Neves.
OAB-ES amplia parcerias com plataformas
A estratégia de digitalização inclui ainda parcerias com empresas e plataformas de pesquisa jurídica, inteligência artificial e gestão, entre elas Forlex, Jusbrasil, ProJuris e AASP/Start OAB.
Também houve mudanças em procedimentos societários por meio da integração com a Redesim e em processos administrativos internos da própria Seccional.
Para a OAB-ES, a incorporação dessas ferramentas deve funcionar como suporte ao profissional, sem transferir para a tecnologia a responsabilidade pela análise jurídica.
“A tecnologia não substitui a advocacia. Ela nos dá instrumentos para trabalhar melhor, ganhar tempo e ampliar o acesso à informação”, afirma a presidente da entidade.
As 19 iniciativas reunidas desde 2025 mostram como a transformação digital deixou de ficar restrita aos tribunais e passou a interferir diretamente na rotina da advocacia capixaba. Ao mesmo tempo em que IA e serviços remotos reduzem tarefas operacionais e deslocamentos, o avanço aumenta a necessidade de proteção de dados, segurança das contas e cuidados contra fraudes no ambiente digital.










