O motorista Cristiano Simões dos Santos, acusado de atropelar o estudante universitário mineiro Bernardo Henrique Soares, de 19 anos, em Vila Velha, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Espírito Santo. O nome dele também foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol, usada para localizar pessoas procuradas internacionalmente. Segundo a investigação, Cristiano deixou o Brasil e está na Austrália.
O atropelamento aconteceu em 31 de maio de 2025, na Rodovia do Sol. Bernardo atravessava uma faixa de pedestres usando um patinete elétrico quando foi atingido pelo carro dirigido por Cristiano. Naquele momento, o semáforo estava piscando em amarelo.
De acordo com a investigação da Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (DDT), o motorista estava com a CNH suspensa e se recusou a fazer o teste do bafômetro após o acidente.
Inicialmente, Cristiano foi liberado pela Polícia Militar no local. Segundo a PM na época, como motorista teria permanecido na região, ele foi ouvido e liberado. A família, porém, contestou essa versão e relatou que ele teria tentado fugir e não prestado socorro.
Durante a investigação, a Polícia Civil apontou que Cristiano havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir. Também foram identificadas, segundo a apuração, tentativa de fuga, omissão de socorro e tentativa de fraude processual. O motorista foi indiciado por tentativa de homicídio com dolo eventual e embriaguez ao volante.
Na Austrália
Após o Ministério Público do Espírito Santo apresentar a denúncia, em julho de 2026, a 4ª Vara Criminal de Vila Velha havia determinado que Cristiano cumprisse medidas cautelares em vez de ser preso. Entre as obrigações estavam manter o endereço atualizado e não deixar a comarca por mais de oito dias sem autorização.
Em agosto, quando um oficial de Justiça tentou localizar o acusado para fazer a citação, descobriu que ele havia mudado e não era mais encontrado no endereço informado.
Informações repassadas e diligências realizadas pela Polícia Civil indicaram que ele havia deixado o Brasil e estava morando na Austrália.
A defesa chegou a pedir autorização para que ele permanecesse no exterior. O pedido, porém, foi negado pela Justiça.
Em decisão de 24 de agosto de 2026, a juíza Ana Amélia Bezerra Régo decretou a prisão preventiva do motorista. A decisão também determinou que o nome dele fosse incluído na lista da Interpol e que a Polícia Federal fosse acionada para os procedimentos de cooperação internacional.
Estudante teve sequelas graves
Bernardo ficou gravemente ferido desde o atropelamento e, segundo a família, ele ainda está sem andar, não consegue se comunicar e precisa de cuidados durante todo o dia. Ele permanece acamado, utiliza sonda para alimentação e fraldas.
A família também mantém uma rotina de tratamentos para tentar a recuperação neurológica do estudante. Parte desse atendimento não é coberta pelo plano de saúde e precisa ser paga de forma particular. Para ajudar a bancar os custos, familiares e amigos realizam campanhas e ações de arrecadação nas redes sociais.
A família continua pedindo que a história de Bernardo seja compartilhada e mantém a esperança na recuperação do jovem.
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