‘Não demonstrou arrependimento’, diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira

Frieza e falta de arrependimento marcaram a prisão de Silas Santos Fontoura, de 40 anos, investigado por assassinar a companheira, Benedita de Jesus Rodrigues, de 59 anos. O homem foi localizado em no Centro de São Mateus nesta terça-feira (25) onde foi preso. Ele confessou o crime.

A vítima foi encontrada morta dentro de uma geladeira em uma casa de Montanha, no Norte do Espírito Santo, na noite da última sexta-feira (21). Ela apresentava diversos ferimentos no tórax.

De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), Silas é considerado um homem de alta periculosidade e, segundo as investigações, até o próprio pai tinha medo do filho.

 

'Não demonstrou arrependimento', diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira
Polícia relata que pai do investigado já havia sido ameaçado e tinha medo do próprio filho.

Caçada ao suspeito mobilizou forças policiais no ES e Bahia

O superintendente de Polícia Regional Noroeste (SPRNO), delegado Arthur Bogoni, destacou o trabalho realizado pelas equipes desde a descoberta do crime.“Desde o encontro do corpo da vítima, a Polícia Civil de Montanha e a Polícia Regional de Nova Venécia não pararam até encontrar o suspeito.”

Segundo o delegado, o homem já tinha um mandado de prisão em aberto por homicídio no estado da Bahia e estava no Espírito Santo trabalhando normalmente com pessoas de bem, inclusive, representando risco para essas pessoas, já que Silas Santos Fontoura, de 40 anos, é considerado uma pessoa perigosa.

“É comum o Espírito Santo receber mão de obra de fora do estado no período da colheita do café. Alguns municípios com política de segurança mais avançada já fazem o cadastro dos trabalhadores temporários. Isso é uma medida que assegura não receber criminosos ou viciados, como era o caso de Silas, um homem extremamente violento que já tinha mandado de prisão expedido pela Justiça da Bahia”, disse Arthur Bogoni.

'Não demonstrou arrependimento', diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira
O superintendente de Polícia Regional Noroeste (SPRNO), delegado Arthur Bogoni, destaca que depois do homicídio na Bahia, Silas trabalhava normalmente no ES e era considerado perigoso.

Para o delegado, mecanismos de controle poderiam ajudar a evitar situações semelhantes. “Se tivesse algum cadastro ou controle naquela região, ele não teria vindo. Alguns municípios do Espírito Santo já fazem isso, não são todos, mas é um passo importante para que fatos como esse da Benedita não venham a ocorrer novamente.”

Segundo a polícia, o investigado é considerado extremamente violento. “Ele é uma pessoa extremamente violenta. O modus operandi dele sempre inclui arma branca, ou seja, não intimida em exibir e ameaçar as pessoas.”

O medo que Silas causava era relatado por pessoas que conviveram com ele. “Todos os endereços que fomos verificar se ele estava ou não, as pessoas diziam que tinham medo dele, porque ele realmente ameaçava com faca. Já cometeu o crime na Bahia e o pai já foi ameaçado e tinha medo de ser morto a facadas pelo próprio filho”, pontuou Bogoni.

O rastro de medo deixado pelo foragido

O chefe da 17ª Delegacia Regional de Nova Venécia, delegado Douglas Trevizani Sperandio, detalhou as diligências realizadas após o crime.

“Logo após o crime, pedimos à população que fizesse denúncias pelo 181 e começaram a chegar várias denúncias. Uma delas informava que ele teria sido visto e, Itabatan, no município de Mucuri, na Bahia. Fomos ao local e não o encontramos”, frisou.

'Não demonstrou arrependimento', diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira
Delegado Douglas Trevizani Sperandio detalhou as buscas pelo suspeito após o crime.

Sperandio apontou ainda que os informações recebidas ajudaram a direcionar as buscas. “Foi importante porque, por meio dessa informação, conseguimos divulgar a foto dele e, depois, ele foi localizado em Jaguaré. Mas todas as denúncias que chegavam eram verificadas pela equipe.”

Ainda de acordo com o delegado, o temor em torno do investigado também era percebido na Bahia. “Na Bahia, lá em Mucuri em um assentamento, foi o local onde ele cometeu um homicídio, e a população daquele assentamento estava bastante temerosa e queria que o prendêssemos o mais rápido possível, diante do temor que tinham dele.”

Caminho até a captura

O titular da Delegacia de Polícia (DP) de Jaguaré, delegado Erick Lopes Esteves, explicou como as equipes chegaram até o paradeiro do suspeito.

“Durante o final de semana, em diligências ininterruptas, e na segunda-feira, nossa unidade foi informada de que existia a possibilidade de o foragido estar na região norte, em Jaguaré ou São Mateus, tendo em vista a proximidade desses locais com a Bahia. Os policiais da Delegacia de Jaguaré realizaram diversas buscas em campo desde que essa informação chegou para a gente, em torno das 8h. Os policiais ficaram na rua e, quando foi 15h, chegou a notícia de que ele estaria em São Mateus, porque havia sido contratado para fazer uma colheita em Guriri.”

Erick Lopes Esteves realçou também que as buscas seguiram durante toda a tarde. “Os policiais seguiram para São Mateus para realizar as buscas e falaram com outros colaboradores, com a população que ajudou a gente, que era um endereço onde ele poderia estar. Os policiais ficaram próximos a essa localidade e, em torno de 18h50, ele apareceu no local. Foi dada voz de prisão, e ele resistiu.”

'Não demonstrou arrependimento', diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira
Delegado Erick Lopes Esteves detalhou a abordagem que terminou na prisão de Silas Santos Fontoura, investigado pela morte de Benedita.

A prisão exigiu o uso da força pelos policiais. “Houve luta corporal com Silas. A todo momento, ele dizia que não era ele, mas tínhamos certeza de que era ele. Então, ele foi algemado e colocado na viatura. Na viatura, ele confirmou aos policiais que era ele mesmo que estava sendo procurado e que ele vitimou Benedita, mas não entrou em detalhes sobre a motivação e como aconteceu”, confirmou. 

Segundo o delegado, o comportamento do investigado chamou a atenção. “Durante o percurso a caminho da delegacia, em nenhum momento ele pareceu estar arrependido. Falou de forma fria que ele era o procurado e não entrou em detalhes.”

Sem arrependimento: a frieza após a captura

O titular da Delegacia de Polícia (DP) de Montanha, delegado Waldir Marins, relembrou como a polícia chegou ao local onde o corpo foi encontrado.

“Na última sexta-feira, ao final do expediente, recebemos a informação de que um corpo foi encontrado em uma casa próxima ao Centro de Montanha. Nos deslocamos até lá e a perícia já havia sido acionada. Ali, constatamos que existia um corpo que estava dentro da geladeira, mas, para preservar o local, aguardamos a perícia chegar.”

A partir daí, os policiais iniciaram a identificação dos envolvidos. “Começamos o trabalho de identificação tanto da vítima quanto do suspeito, porque a informação que colhemos no local era de que o suspeito veio de Nanuque para trabalhar em fazenda de café e a vítima, namorada dele, vinha para visitá-lo”, mencionou. 

O delegado Waldir Marins, lembrou ainda que a identificação foi uma das primeiras dificuldades enfrentadas pela equipe. “Ele localizou o imóvel de um senhor que tinha uma venda na região. Ele alugou de boca, sem contrato, informando apenas o primeiro nome. A primeira dificuldade foi a identificação, mas, dentro dos pertences da vítima, havia fotos da família e um militar que estava no local conhecia um familiar. Entrou em contato, qualificou a vítima e o investigado em seguida”.

'Não demonstrou arrependimento', diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira
Delegado Waldir Marins detalhou como a Polícia Civil chegou ao imóvel onde o corpo da vítima foi encontrado dentro de uma geladeira.

Ainda segundo o titular da Delegacia de Polícia de Montanha, foi durante essa etapa que os investigadores descobriram o histórico criminal do suspeito. “Logo que qualificamos o investigado, consultamos o sistema para saber se existia algum mandado de prisão, o que existia na Bahia, em aberto, por homicídio.”

O proprietário do imóvel também ajudou a reconstruir os últimos dias antes da descoberta do crime. “O locador do imóvel contou que viu a vítima pela última vez no sábado. Na terça-feira, o investigado pediu uma bicicleta emprestada para resolver alguns problemas e não voltou com a bicicleta. Já na sexta-feira, como o investigado não tinha pago o aluguel e deixado pertences ali, o locador decidiu fechar o imóvel por dentro, lacrar e, caso Silas voltasse, pudesse acertar com ele o que devia”, frisou o delegado. 

A descoberta do corpo aconteceu por acaso. “Quando ele abriu o imóvel para fechar por dentro, viu que a geladeira estava virada para a parede. Aquilo chamou a atenção dele. Ele chamou um amigo que estava com ele e pediu ajuda para mover a geladeira, quando o corpo já apareceu. Esse foi o momento exato da localização do corpo.”

Os sinais ignorados antes do desfecho trágico

A filha da vítima também foi ouvida durante as investigações. “Conseguimos localizar a filha da vítima, que foi ouvida formalmente no inquérito, e ela relatou que a mãe iniciou o relacionamento em agosto do ano passado e, desde o início, já via sinais de violência por parte do investigado. Ela chegou a dizer que era contra o relacionamento porque a mãe teria tirado esse homem da rua e ele agia com violência.”

'Não demonstrou arrependimento', diz polícia sobre feminicida que escondeu corpo em geladeira
Delegado Waldir Marins afirmou que o crime apresentava sinais de violência antes da morte da vítima.

Segundo o relato, já havia registros de agressões anteriores. “Há dois meses, eles teriam rompido o relacionamento por conta de uma agressão com chave de fenda, mas a mãe não contou para a filha como foi. Ela descobriu que a mãe tinha reatado o relacionamento quando ligou para ela no sábado e a mãe disse que estava com o investigado.”

O delegado mencionou ainda que o contato com a vítima foi perdido dias antes da localização do corpo. “No domingo, a filha da vítima conseguiu falar com a mãe pela manhã e, na segunda-feira, não conseguiu mais contato. Como mora em outra cidade, ela combinou com o tio, que mora em Nanuque, de vir na sexta-feira procurar a mãe.”

Waldir Marins confirmou que a família ainda não sabia onde Benedita estava. “Ela não sabia que a vítima estava exatamente em Montanha. Acabou que, antes de ela chegar à cidade, houve o encontro do corpo.”

Para o delegado, a prisão impede que novos crimes sejam cometidos. “Prisão importante para evitar que cometa outros crimes. Indiciado por feminicídio e ocultação de cadáver.”

Um crime anunciado por sucessivos sinais de violência

Ao avaliar o histórico do relacionamento, o delegado fez uma reflexão sobre os indícios que antecederam o crime.

“Crime que dava sinais de que poderia acontecer. A vítima tinha conhecimento de que o investigado era foragido da Bahia, a filha tinha conhecimento. É um crime que poderia ter sido evitado. Apesar de todos os sinais de violência, a vítima persistiu no relacionamento.”

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas