Campanha de coleta de DNA ajuda famílias a buscar desaparecidos no ES

A Polícia Civil (PCES) e a Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) participam, entre os dias 24 e 28 de agosto, da Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. A ação será realizada na Região Metropolitana e no interior do Estado e busca ajudar famílias a localizar entes desaparecidos e dar desfecho a casos que ainda aguardam identificação.

De acordo com a Polícia Científica e a Polícia Civil do Espírito Santo, a ação é promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e busca incentivar familiares de pessoas desaparecidas a doarem material genético. O material será comparado com perfis armazenados nos bancos estaduais e no Banco Nacional de Perfis Genéticos.

O cruzamento de informações com pessoas falecidas ou com pessoas vivas com identidade desconhecida poderá permitir a identificação de desaparecidos e colaborar com a resolução de casos.

Na Grande Vitória, a coleta será realizada na capital. No interior, os atendimentos acontecerão nas regiões dos SMLs de Linhares, Colatina, Cachoeiro e Venda Nova.

A importância da coleta de DNA

O titular da Delegacia Especializada de Pessoas Desaparecidas (DEPD), da Polícia Civil (PCES), delegado Tarcísio Otoni, destaca a importância da participação dos familiares na coleta de DNA.

“É importante registrar que não somente a investigação policial, mas também a perícia criminal, com a ajuda dos familiares, é extremamente importante para nós. A coleta de DNA é um procedimento simples, rápido, mas muito eficaz no desfecho de casos, e não só em casos de desaparecidos, mas também para direcionar investigações que, muitas vezes, indicam que aquele desaparecimento não foi voluntário, mas decorrente de uma motivação criminosa.”

O delegado também explica como o material genético pode contribuir para a identificação de pessoas encontradas sem identificação.

“Na nossa experiência da investigação, utilizamos meios tecnológicos, métodos de investigação sofisticados, mas o DNA é extremamente eficaz porque ele diz com muita precisão que aquele corpo, aquela pessoa, muitas vezes encontrada em óbito, de fato faz parte do que constava no boletim de ocorrência. É um fato que traz uma resposta para familiares que muitas vezes chegam até nós com essa dúvida.”

Campanha de coleta de DNA ajuda famílias a buscar desaparecidos no ES
Coleta de DNA busca ajudar famílias a encontrar pessoas desaparecidas no ES.

Não é preciso esperar 24 horas

Tarcísio Otoni também reforça que não é necessário esperar 24 horas para registrar o desaparecimento.

“Não é necessário, de forma absoluta, aguardar 24 horas para registrar um boletim de ocorrência de pessoa desaparecida. Ao menor sinal de que o familiar, aquela pessoa, ente querido, desapareceu, deixou para trás objetos pessoais, procure uma delegacia de polícia mais próxima, registre a ocorrência pela Delegacia Online ou procure nossa delegacia especializada. Nós vamos fazer o acolhimento, adotar os protocolos iniciais de busca de pessoa desaparecida, inclusive com a participação da perícia criminal.”

Campanha mobiliza famílias

O perito oficial geral da Polícia Científica (PCIES), Carlos Alberto Dal-cin, explica a importância da mobilização realizada durante a campanha.

“Na Semana Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, essa mobilização nacional que todos os estados estão fazendo, as polícias Civil e Científica têm como finalidade trazer as famílias que tiveram perdas de seus entes, com um chamamento para que venham às instituições, para que a gente possa dar um retorno, uma satisfação do que aconteceu. A gente lembra que nem toda pessoa que desapareceu faleceu. É importante que procure a delegacia para iniciar o protocolo de busca.”

Ele também destaca a coleta de DNA como uma das formas de busca. “Um deles é esse: coleta de DNA de familiares para que, através do banco de DNA estadual e nacional da Polícia Científica, a gente possa buscar essa pessoa, eventualmente falecida.”

O perito explica ainda quem pode fornecer o material genético. “Ao procurar uma força de segurança, informar a ausência da pessoa desaparecida. Inicialmente, poderemos iniciar o protocolo de busca, que pode ser feito através da coleta de DNA de familiares. Pai, mãe, irmão poderão ceder uma amostra biológica do DNA, para que a Polícia Científica insira no banco de dados e possa fazer uma correlação estadual e nacional para busca do perfil genético.”

Dal-cin também orienta onde os familiares podem procurar atendimento durante a mobilização.

“O Instituto de Medicina Legal e a delegacia responsável da Polícia Civil, na Região Metropolitana, estão preparados para recepcionar esses familiares. No interior, as delegacias e os SML. Então, nessa mobilização, terão cartazes e telefones para as pessoas entrarem em contato com as instituições.”

Sobre o prazo para registrar o desaparecimento, o perito reforça: “Não existe mito de 24h – a qualquer momento que o familiar entenda que o ente está desaparecido, deve procurar a delegacia para dar encaminhamento porque tempo é fundamental nessa busca.”

Resultados do banco de DNA

A chefe do Laboratório de DNA Forense (LABDNA) da Polícia Científica (PCIES), perita oficial criminal Bianca Bortolini Merlo, apresenta dados sobre as identificações realizadas por meio do banco de DNA.

“Desde o início da utilização do banco de DNA, a equipe já tem 34 identificações pelo banco – 550 pessoas sem identificação cadastradas e 352 famílias que estão cadastradas e buscam o parente desaparecido.”

Bianca também explica como é feita a coleta e como o material é utilizado.

“A coleta é gratuita, indolor, a gente realiza com espécie de cotonete ou esponjinha, faz coleta da mucosa da pessoa, por meio de raspagem na parte interna da bochecha. Insere dados no banco de dados, o dado do familiar vai ser confrontado apenas com pessoas sem identificação, não importa tempo de desaparecimento, pode ter muitos anos. Basta o familiar doar uma vez que já vai ficar cadastrado.”

A perita orienta quais familiares devem participar e quais objetos podem ser levados para auxiliar no exame.

“Orientamos parentes de primeiro grau, pais, filhos, irmão da pessoa desaparecida. A família ainda pode encaminhar objetos de uso pessoal do desaparecido, escova de dente, aparelho de barbear, dente de leite, pode ser levado no dia da coleta que ajuda no exame. Importante boletim de ocorrência e documento com foto para realização.”

Coleta também pode ser feita por crianças

Bianca explica ainda que o resultado da análise pode surgir posteriormente à coleta. A coleta também pode ser realizada por crianças, desde que acompanhadas pelos responsáveis legais.

“Processamos o material da família e colocamos no banco. O resultado pode aparecer no momento em que esses dados forem inseridos, se o familiar já estiver cadastrado lá, mas pode ser que o resultado apareça depois, anos depois.”

Ela cita um caso em que a identificação ocorreu dois anos após a coleta. “Temos um caso de uma família que coletou amostras em 2021 e teve o resultado dois anos depois, porque a amostra foi inserida posteriormente, ou seja, a pessoa daquela família foi encontrada depois.”

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