Médicos com formação em Medicina de Emergência tiveram maior taxa de sucesso na primeira tentativa de intubação, segundo um estudo brasileiro publicado no European Journal of Emergency Medicine. A diferença foi de 9,5 pontos percentuais e persistiu após o ajuste estatístico para os fatores considerados pelos pesquisadores.
O estudo analisou dados de 2.582 adultos intubados em serviços de emergência no Brasil entre março de 2022 e abril de 2024. Desse total, 1.087 foram atendidos por emergencistas e 1.495 por médicos de outras áreas, principalmente de Clínica Médica e Cirurgia. Os dados vieram do registro brasileiro BARCO.
A hipoxemia grave, uma queda acentuada na oxigenação do sangue, foi registrada em 9,8% dos procedimentos feitos por emergencistas e em 14,2% dos realizados por outros médicos. A mortalidade foi de 44,5% e 46%, respectivamente, sem diferença estatisticamente significativa entre os grupos.
Como os procedimentos foram feitos
O uso de uma lista de checagem antes da intubação foi mais frequente entre os emergencistas, em 54,1% dos casos, ante 38,2% entre os demais médicos. A videolaringoscopia, técnica que permite visualizar em uma tela as estruturas por onde passa o tubo, foi usada em 23,9% e 14,3% dos procedimentos, respectivamente.
Os emergencistas também usaram com mais frequência o rocurônio, medicamento que promove o relaxamento muscular, e o estilete, dispositivo que ajuda a direcionar o tubo durante a intubação.
Segundo Ian Ward Abdalla Maia, vice-presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), a pesquisa busca entender como a formação dos profissionais e a estrutura dos serviços podem influenciar a segurança nos primeiros minutos de atendimento.
Por ser observacional, o estudo aponta uma associação. Características dos pacientes, experiência dos profissionais, organização das equipes e recursos disponíveis nos serviços também podem ajudar a explicar as diferenças encontradas.










