Todos os anos, o Espírito Santo e o Brasil se vestem para reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Apesar da campanha Outubro Rosa, os dados epidemiológicos locais e nacionais revelam um cenário que exige atenção urgente dos gestores de saúde e da população.
No Espírito Santo, a incidência da doença mantém ritmo alarmante. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), entre 400 e 501 novos casos foram contabilizados nos primeiros meses do ano mais recente no Estado. As projeções para o futuro próximo reforçam a gravidade do cenário: para o ano de 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima cerca de 950 novos casos de câncer de mama feminino em solo capixaba, sendo que nos últimos cinco anos foram confirmados mais de 7,1 mil casos.
Apesar da alta taxa de incidência, a adesão ao exame preventivo permanece abaixo do ideal. Ao longo da última década, a cobertura estimada de mamografia de rastreamento no Sistema Único de Saúde (SUS), entre mulheres de 50 a 69 anos, não chegou a 30%. Isso significa que mais de 70% do público-alvo não realizou os exames necessários para detectar a doença precocemente, segundo dados do Radar do Câncer, plataforma do Instituto Oncoguia.
O gargalo do rastreamento: barreiras de acesso e desinformação
As razões para a baixa cobertura vacilam entre desafios estruturais do sistema público e mitos consolidados entre as próprias pacientes. As barreiras envolvem desde a dificuldade logística para agendar e realizar exames no SUS até questões socioeconômicas e falta de conhecimento sobre a assintomaticidade nos estágios iniciais.
“É claro que precisamos continuar cobrando acesso, exames disponíveis e diagnóstico em tempo oportuno. Mas também precisamos olhar para aquilo que podemos transformar com informação. Ainda existem mulheres que acreditam que só precisam fazer mamografia se sentirem algum caroço, que não correm risco porque não têm casos de câncer na família ou que podem deixar o exame para depois. E essas ideias podem fazer com que oportunidades de diagnóstico precoce sejam perdidas”, alerta Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia.
10 verdades sobre o câncer de mama que toda mulher precisa conhecer
Para combater desinformações que atrasam o início do tratamento, o Instituto Oncoguia reuniu dez pontos essenciais sobre a doença:
Não ter casos na família não garante proteção: Cerca de 85% a 90% dos diagnósticos ocorrem em mulheres sem histórico familiar hereditário.
A ausência de caroços não descarta a doença: O tumor pode crescer sem sintomas visíveis em fases iniciais, momento em que a mamografia consegue identificá-lo.
Os sinais vão além do nódulo: Mudanças no formato da mama, alterações na pele, retração do mamilo, secreção espontânea e nódulos nas axilas também exigem investigação.
Mamografia é preventiva (rastreamento): O Ministério da Saúde indica o exame bianual para mulheres de 50 a 74 anos sem sintomas. Sociedades médicas recomendam o rastreamento anual a partir dos 40 anos.
Exame normal anterior não anula novos sintomas: Diante de qualquer alteração recente, a avaliação médica deve ser buscada, independentemente do último resultado.
O câncer de mama tem múltiplos subtipos: O tratamento varia conforme o perfil biológico e o estágio do tumor de cada paciente.
O diagnóstico precoce altera o prognóstico: Casos identificados no início apresentam maiores chances de cura e tratamentos menos agressivos.
Hábitos saudáveis reduzem o risco, mas não zeram a chance: Alimentação equilibrada e exercícios ajudam na prevenção, mas não substituem o rastreamento periódico.
Diagnóstico não é sinônimo de mastectomia total ou quimioterapia: Terapias-alvo, cirurgias conservadoras e imunoterapia são alternativas modernas que preservam a qualidade de vida.
Acesso e conscientização caminham juntos: A informação é crucial, mas a garantia de leitos, equipamentos e agilidade na rede pública do Estado é indispensável.
Mobilização contínua
A presidente do Oncoguia ressalta que o movimento do Outubro Rosa deve ir além de datas comemorativas para se consolidar em políticas públicas permanentes e autonomia individual.
“Não podemos responsabilizar as mulheres por todas as dificuldades do sistema de saúde. Mas também não podemos aceitar que alguém deixe de fazer um exame importante simplesmente porque não sabe que precisa ou porque acredita em informações erradas. Informação também é uma forma de cuidado”, conclui Holtz.
Para quem busca orientação individualizada sobre direitos, acesso a tratamentos pelo SUS ou dúvidas gerais sobre a jornada oncologia, o Instituto Oncoguia disponibiliza atendimento gratuito pelo telefone 0800 773 1666 ou via WhatsApp (11) 94242-8536. Indicadores estaduais e nacionais podem ser consultados diretamente no painel oficial do Radar do Câncer.










