Menopausa: quando os hormônios mudam e o corpo pede atenção

Marcado pelo Dia Mundial da Menopausa (18 de outubro), o debate sobre a saúde feminina nesta fase ganha novos contornos no Brasil. Longe de ser apenas um marco biológico associado ao envelhecimento, o período envolve transformações físicas e emocionais que impactam a rotina de milhões de brasileiras, impulsionando a busca por tratamentos personalizados e políticas públicas direcionadas.

Com estimativas do IBGE apontando cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos no país, o Ministério da Saúde publicou este ano orientações para qualificar o atendimento a esse público na Atenção Primária do SUS. O objetivo é mapear o cenário nacional — historicamente carente de levantamentos específicos — e garantir suporte adequado desde o climatério até a pós-menopausa.

Climatério x Menopausa: entenda as diferenças

Embora usados frequentemente como sinônimos, os termos nomeiam processos distintos:

  • Menopausa: É o evento biológico pontual, diagnosticado após 12 meses consecutivos sem menstruação. Acontece, em média, entre os 45 e 55 anos.

  • Climatério: É a fase de transição que cerca a menopausa. Pode começar anos antes e se estender anos depois, marcada pela queda gradual na produção do estrogênio.

Cerca de 20% a 30% das mulheres relatam sintomas de intensidade moderada a grave durante essa transição. Entre as queixas mais recorrentes estão ondas de calor (fogachos), suor noturno, insônia, oscilações de humor, ressecamento vaginal, diminuição da libido e dores articulares.

Terapia hormonal e escolhas terapêuticas

A terapia de reposição hormonal (TRH) surge como um dos recursos mais eficazes para aliviar os sintomas vasomotores e prevenir a perda de massa óssea, mas o tratamento não é uma indicação universal.

A escolha entre utilizar hormônios (isolados ou combinados) ou recorrer a estratégias não hormonais depende da avaliação do histórico individual. Fatores como idade, tempo desde a menopausa, riscos cardiovasculares e histórico familiar balizam a decisão médica.

Especialistas reforçam a necessidade de um diagnóstico criterioso para evitar tanto a prescrição indiscriminada quanto o receio injustificado da medicação. A atenção deve ser redobrada também em casos atípicos: a insuficiência ovariana primária (menopausa precoce) atinge cerca de 1% das mulheres antes dos 40 anos e exige investigação clínica diante de alterações no ciclo menstrual.

A orientação atual de entidades de saúde é que a mulher busque acompanhamento ao primeiro sinal de desconforto, ajustando hábitos de vida e adotando abordagens alinhadas às suas necessidades específicas.

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