Dor nas costas, no pescoço, nos joelhos, ombros ou em outras regiões do corpo pode deixar de ser apenas um incômodo passageiro e passar a interferir diretamente na rotina. Cerca de 60 milhões de pessoas convivem com a dor crônica no Brasil. Em âmbito mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 30% da população sofra com esta condição.
O cenário chama atenção para a importância de identificar as causas da dor e buscar acompanhamento adequado, especialmente quando o desconforto persiste ou começa a limitar atividades simples do dia a dia. No Dia Nacional do Fisioterapeuta e do Terapeuta Ocupacional, celebrado em 13 de outubro, Roney Caprini Grassi. fisioterapeuta do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT), destaca a importância da fisioterapia dentro desse processo de cuidado.
“Quando a dor passa a fazer parte da rotina, é comum que a pessoa comece a modificar seus movimentos, evitar determinadas atividades e até reduzir sua participação em situações que antes eram naturais. Isso pode gerar um ciclo de limitação e perda de funcionalidade. A fisioterapia atua justamente para entender o que está provocando aquela condição, trabalhar a recuperação do movimento e ajudar o paciente a retomar suas atividades com mais segurança”, explica Roney.
O profissional ressalta que sentir dor não significa necessariamente que a pessoa deva interromper todos os movimentos. Em muitos casos, o tratamento envolve justamente a retomada gradual e orientada da atividade física e dos movimentos, respeitando as condições e os limites de cada paciente.
“Existe uma ideia de que, diante da dor, o melhor é ficar parado. Mas isso nem sempre é verdade. Dependendo da causa, a falta de movimento pode contribuir para a perda de força, mobilidade e condicionamento. Por isso, a avaliação individual é tão importante para definir quais movimentos e exercícios são adequados para aquele paciente”, afirma.
Dor não deve ser normalizada
Um dos principais alertas do fisioterapeuta é para que a dor persistente não seja encarada como algo que a pessoa simplesmente precisa aprender a suportar.
A dor crônica pode estar relacionada a diferentes condições musculoesqueléticas e também pode permanecer após uma lesão ou cirurgia. Por isso, a investigação da origem do problema é fundamental para definir a estratégia de tratamento.
“É importante diferenciar aquela dor pontual, que pode surgir depois de um esforço ou atividade diferente, de uma dor que persiste, volta com frequência ou começa a interferir na rotina. Quando isso acontece, é um sinal de que vale a pena procurar avaliação profissional”, orienta Roney.
Fisioterapia além da reabilitação
Além de dores, a fisioterapia também é indicada para tratamentos de mobilidade, inflamações em partes do corpo, reabilitações. O fisioterapeuta explica ainda que a avaliação considera aspectos como mobilidade, força muscular, postura, movimentos realizados no trabalho e nas atividades diárias, histórico de lesões e hábitos de vida.
“Nossa atuação também está relacionada à prevenção e à manutenção da funcionalidade. Podemos orientar exercícios, movimentos e estratégias para reduzir sobrecargas e melhorar a capacidade do corpo de realizar as atividades cotidianas”, explica.
Para Roney, esse acompanhamento é especialmente importante para quem já apresenta algum quadro de dor ou possui histórico de lesões.
“Fisioterapia também é trabalhar para que o paciente tenha mais consciência sobre o próprio corpo, entenda seus limites e consiga se movimentar melhor. Recuperar a função significa, muitas vezes, voltar a fazer coisas simples que a dor tinha tirado da rotina”, conclui.










