A menopausa costuma ser associada às ondas de calor e às alterações do sono, mas a queda do estrogênio também repercute nos vasos sanguíneos. A mudança hormonal pode afetar a função vascular e se soma a outros fatores que ganham importância com o avanço da idade. É uma fase em que vale prestar mais atenção à circulação e aos sinais que podem indicar a necessidade de investigação.
De acordo com cálculos baseados em dados do IBGE, aproximadamente 30 milhões de mulheres no Brasil estão na faixa etária do climatério e da menopausa, o equivalente a cerca de 7,9% da população feminina.
Entre as mulheres, a relevância do tema também está relacionada ao peso das doenças cardiovasculares. Segundo estimativas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), essas doenças respondem por cerca de um terço das mortes entre mulheres no mundo.
“A queda do estrogênio interfere no funcionamento dos vasos e muda o cenário da saúde vascular da mulher. Não significa que toda mulher terá um problema vascular, mas é uma fase em que precisamos ficar atentos aos sinais e aos fatores de risco”, explica Fanilda Barros, angiologista da Angio+.
Um dos exames que pode ser utilizado, quando há indicação, é o Doppler de carótidas. Feito por ultrassom, ele permite avaliar o fluxo do sangue nas artérias do pescoço e observar alterações na parede dos vasos e a presença de placas de aterosclerose.
“O Doppler não é um exame que deve ser feito por toda mulher na menopausa. A indicação depende da história clínica, dos fatores de risco e do que encontramos na avaliação. Ele pode complementar essa investigação e mostrar alterações que ainda não causaram sintomas”, orienta a angiologista da Angio +, Bárbara De Angeli.
Além do exame, a avaliação vascular considera sintomas, histórico familiar, pressão arterial, colesterol, glicemia, tabagismo, nível de atividade física e outras condições que podem afetar a circulação.
Sinais de alerta
Nem toda alteração na circulação significa uma doença vascular, mas alguns sinais merecem atenção, especialmente quando são novos, persistentes ou pioram com o tempo. Entre eles estão:
– Inchaço persistente, principalmente quando aparece em apenas uma das pernas;
– Dor, peso ou cansaço nas pernas, sobretudo ao caminhar ou permanecer muito tempo em pé;
– Mudanças na cor ou na temperatura da pele;
– Surgimento ou piora de varizes;
– Feridas que demoram a cicatrizar.
Como prevenir doenças vasculares nesta fase da vida
A prevenção passa por medidas que ajudam a proteger a circulação e reduzir fatores de risco. Entre os principais cuidados estão:
– Praticar atividade física regularmente;
– Manter uma alimentação equilibrada;
– Não fumar;
– Acompanhar pressão arterial, colesterol e glicemia;
– Manter o peso adequado;
– Fazer acompanhamento médico de forma regular.
Segundo a especialista Bárbara De Angeli, a menopausa também pode ser um momento de prevenção. “É uma boa fase para rever hábitos, acompanhar os fatores de risco e prestar atenção a mudanças na circulação. Quanto mais cedo uma alteração é percebida, mais cedo podemos investigar o que está acontecendo e orientar os cuidados necessários.”










