Coceira intensa, pele ressecada, vermelhidão e descamação podem ser sinais de dermatite atópica. A doença inflamatória crônica não é contagiosa e costuma alternar períodos de melhora e de crise. Embora seja mais comum na infância, também pode afetar adultos. No Dia Nacional de Conscientização sobre a doença, celebrado nesta quarta-feira (23), uma dermatologista explica como reconhecer os sintomas e cuidar da pele.
Segundo Thais Barcellos, médica e professora de Dermatologia da Afya Educação Médica Itaperuna, a barreira de proteção da pele fica comprometida em quem tem dermatite atópica. “Há uma disfunção da barreira da pele, que aumenta a perda de água, causando ressecamento e coceira. Essas falhas também facilitam a entrada de substâncias que podem irritar a pele e desencadear inflamação”, explica.
O que pode piorar as crises?
A doença não tem uma causa única. Fatores genéticos, imunológicos e ambientais podem estar envolvidos. No dia a dia, banhos quentes e demorados, produtos com fragrância, suor, calor, estresse e clima frio ou seco podem agravar os sintomas. Tecidos como lã também causam irritação em algumas pessoas. Os gatilhos variam, por isso observar o que antecede as crises ajuda a orientar os cuidados.
Cuidados precisam continuar fora das crises
A hidratação da pele faz parte do tratamento mesmo quando não há lesões aparentes. Thais orienta aplicar o hidratante pelo menos duas vezes ao dia e sempre que houver ressecamento. Após o banho, a recomendação é passar o produto enquanto a pele ainda está levemente úmida.
Banhos curtos, com água morna, sabonete suave e sem fragrância, também ajudam a evitar a irritação. Ao se secar, a pessoa deve usar a toalha com toques leves, sem esfregar a pele. Essas medidas de cuidado são recomendadas pela Academia Americana de Dermatologia.
Coçar pode provocar feridas e agravar a inflamação. Por isso, a dermatologista recomenda manter as unhas curtas, especialmente para reduzir lesões durante o sono.
O tratamento varia conforme a idade, a extensão das lesões e a intensidade dos sintomas. Além dos cuidados diários, o dermatologista pode prescrever medicamentos para controlar a inflamação; casos mais intensos podem exigir outras terapias. Com acompanhamento e uma rotina contínua de cuidados, é possível reduzir as crises e seus efeitos sobre o sono e a qualidade de vida.










