A vermelhidão característica no rosto do goleiro Alisson Becker voltou a chamar atenção durante a Copa do Mundo de 2026. A condição, frequentemente associada à imagem do jogador, tem nome: rosácea. Trata-se de uma doença inflamatória crônica da pele, sem cura, mas que pode ser controlada com acompanhamento médico adequado.
A dermatologista Priscila Passamani explica que a rosácea afeta principalmente a região central do rosto, como bochechas, nariz, testa e queixo. “Os sinais mais comuns são vermelhidão, sensação de calor, ardência, sensibilidade, vasos sanguíneos aparentes e lesões que se assemelham à acne”, descreve.
Apesar da aparência similar em alguns casos, rosácea e acne são condições diferentes. “A principal diferença é que a acne é causada pelo excesso de sebo e pela obstrução dos poros, enquanto a rosácea é uma condição inflamatória crônica da pele”, esclarece a médica.
Causas ainda não totalmente esclarecidas
Segundo a especialista, a ciência ainda não identificou com precisão a origem da rosácea. “Não se sabe exatamente quais são as causas. Porém, fatores comportamentais e ambientais podem desencadear ou piorar crises”, afirma.
Entre os principais gatilhos apontados pela dermatologista estão a exposição ao sol e ao calor extremo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (principalmente vinho), alimentação rica em gordura, açúcar e alimentos fermentados, estresse e mudanças bruscas de temperatura e umidade.
Mecanismo por trás da vermelhidão
A vermelhidão característica da rosácea tem uma explicação fisiológica complexa. “Pode ocorrer principalmente no centro, devido a uma dilatação dos vasos da região, com consequente aumento do fluxo sanguíneo. Além disso, alguns pacientes também relatam sensação de calor, mas há ainda casos bem mais graves”, explica Priscila.
O quadro pode variar bastante de intensidade. Em estágios intermediários, surgem pápulas e pústulas – pequenas lesões e bolhas preenchidas com pus que se assemelham à acne, mas têm origem completamente diferente. Já nos casos mais avançados e desafiadores, a rosácea pode se manifestar de formas que vão muito além da vermelhidão no rosto.
Uma dessas manifestações é a rinofima, uma complicação inflamatória crônica da rosácea muito avançada que afeta o nariz, deixando-o com uma aparência irregular, aumentado e com textura rugosa. “Essa condição rinofima deixa o nariz bem grande e todo marcado. É muito comum em homens que bebem muito e se expõem excessivamente ao sol”, conta a médica. A condição, embora rara, existe tratamento e merece atenção.
Outra manifestação grave é a blefarite, uma inflamação ocular associada à rosácea que provoca vermelhidão intensa nos olhos, ressecamento e uma sensação constante de areia nos olhos. “O paciente convive com olho irritado, seco, vermelho, e muitas vezes não imagina que isso pode ser uma rosácea”, alerta Priscila.
“A rosácea grave é quando ela atinge os órgãos, e não se resume apenas àquela vermelhidão, sensação de calor no rosto ou lesões parecidas com acne”, reforça a especialista. “É importante informar, porque tem gente que tem essas condições e não sabe.”
Cuidados diários são essenciais
Para quem convive com a condição, a rotina de cuidados com a pele é parte fundamental do controle. “É importante que o paciente adote uma rotina diária de cuidados com a pele, incluindo limpeza, hidratação e proteção solar”, orienta a médica Priscila Passamani. O protetor solar, inclusive, é apontado pela médica como um dos cuidados mais importantes para quem tem rosácea, já que a exposição solar é um dos principais gatilhos de crise.
Como a pele com rosácea costuma ser mais sensível, a especialista recomenda atenção redobrada na escolha dos produtos, que devem sempre ser indicados por um médico dermatologista.
Tratamentos evoluíram nos últimos anos
Segundo Priscila, o tratamento da rosácea passou por avanços importantes recentemente. Hoje, as opções vão de medicamentos tópicos, cremes e géis para controlar a inflamação, a vermelhidão e as lesões, a medicamentos orais, incluindo antibióticos e, em casos mais graves, isotretinoína.
Tecnologias a laser também ganharam espaço no tratamento. O laser vascular e a luz pulsada ajudam a reduzir a vermelhidão e os vasos sanguíneos aparentes. E, mais recentemente, o Botox passou a ser uma alternativa adicional. “O Botox, por exemplo, quando aplicado em microdoses, pode reduzir a dilatação dos vasos, controlar a inflamação, diminuir episódios de calor e vermelhidão e melhorar a textura da pele”, afirma a dermatologista.
Apesar das diversas opções disponíveis, a especialista reforça que não existe fórmula única. “O tratamento é multifatorial, já que são muitas as possíveis causas, e deve ser orientado por um especialista”, conclui Priscila.
Além do acompanhamento médico, adotar um estilo de vida saudável e identificar os fatores individuais que desencadeiam as crises são passos fundamentais para quem convive com a rosácea, uma condição que, mesmo sem cura, pode ser bem controlada com os recursos disponíveis hoje na dermatologia.










