O Espírito Santo registrou 14.595 casos de hepatites virais e 1.495 mortes provocadas pela doença entre 2000 e 2024, segundo dados do Ministério da Saúde. No mesmo período, o Brasil contabilizou mais de 826 mil casos confirmados, sendo as hepatites B e C as formas mais frequentes e preocupantes por poderem evoluir de forma silenciosa durante anos.
As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e, muitas vezes, não apresentam sintomas nas fases iniciais. Quando não diagnosticadas e tratadas precocemente, podem evoluir para cirrose, câncer hepático e, em casos graves, exigir transplante de fígado.
No Espírito Santo, a hepatite B lidera o número de notificações, reforçando a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Testes rápidos para hepatite são oferecidos pelo SUS
Para aumentar a identificação precoce da doença, o Ministério da Saúde intensificou a distribuição de testes rápidos. Até maio de 2026, o Espírito Santo recebeu 106,5 mil testes para hepatite C, que estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal, ampliar o acesso aos exames é fundamental para reduzir os casos mais graves.
“Quanto mais pessoas puderem fazer o exame, maiores serão as chances de descobrir a infecção antes que o fígado apresente danos irreversíveis. É importante que a população saiba que o teste está disponível gratuitamente no SUS”, afirma.
A especialista também orienta que pessoas com sintomas como fadiga, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras procurem atendimento médico.
Hepatites B e C podem evoluir sem sintomas
Entre os mais de 826 mil casos registrados no Brasil entre 2000 e 2024, a hepatite C representa 342.328 notificações (41,5%), seguida pela hepatite B, com 302.351 casos (36,6%). A hepatite A soma 174.977 registros (21,2%), enquanto as hepatites D e E representam menos de 1% das notificações.
De acordo com especialistas, as hepatites B e C merecem atenção especial porque podem permanecer sem sintomas por muitos anos, aumentando o risco de complicações graves.
Como ocorre a transmissão das hepatites virais
As formas de transmissão variam conforme o tipo do vírus.
A hepatite A está relacionada, principalmente, ao consumo de água e alimentos contaminados. Já as hepatites B e D podem ser transmitidas por contato com sangue contaminado, relações sexuais sem proteção e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
A hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue infectado, como no compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e materiais não esterilizados utilizados em tatuagens e piercings.
Prevenção continua sendo a principal forma de combate
Segundo Cláudia Vidal, medidas simples podem reduzir significativamente o número de novos casos.
“A vacinação, o uso de preservativos, o não compartilhamento de objetos perfurocortantes e os cuidados com higiene e saneamento são estratégias fundamentais para reduzir novos casos. A informação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção”, destaca.
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, as hepatites virais continuam sendo um desafio mundial. Dados do Global Hepatitis Report 2026, da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C, responsáveis por mais de 95% das mortes relacionadas à doença no mundo. A OMS alerta que o ritmo atual ainda é insuficiente para eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.










