Especialista alerta para riscos da sexualização infantil após vídeo viral

Um vídeo envolvendo uma criança publicado nas redes sociais provocou uma onda de comentários e dividiu opiniões entre os internautas. Enquanto parte do público considerou a cena apenas uma brincadeira, outros apontaram que o conteúdo ultrapassa os limites da infância e contribui para a sexualização infantil. Independentemente do caso específico, especialistas afirmam que o episódio reforça a necessidade de discutir como crianças são expostas no ambiente digital e quais consequências isso pode trazer para o desenvolvimento.

Para a psicóloga da Bluzz Saúde, Marília Zanette, a sexualização infantil acontece quando crianças são colocadas em situações ou passam a receber interpretações com conotação sexual incompatíveis com sua fase de desenvolvimento. “A infância precisa ser vivida como infância, respeitando os limites e as necessidades de cada idade”, afirma.

Segundo a especialista, o problema nem sempre está apenas na roupa, na dança ou na brincadeira, mas principalmente na forma como adultos interpretam determinados comportamentos ou incentivam exposições inadequadas. Quando a aparência, os gestos ou as atitudes infantis passam a ser vistos sob um olhar sexualizado, ou quando responsáveis reforçam esse tipo de comportamento para gerar engajamento ou entretenimento, a criança deixa de ter sua condição de sujeito em desenvolvimento plenamente respeitada.

Desenvolvimento emocional pode ser afetado

Marília explica que a exposição precoce pode causar confusão sobre limites, interferir no desenvolvimento emocional e até naturalizar situações inadequadas. “Além disso, aumenta a vulnerabilidade da criança e pode trazer consequências para a forma como ela entende o próprio corpo e as relações.”

Ela destaca que crianças aprendem observando os adultos. Por isso, mesmo quando não há intenção de causar prejuízo, determinadas atitudes podem transmitir mensagens equivocadas. “Os adultos podem passar a ideia de que esse tipo de exposição é normal ou engraçado. A criança aprende muito pelo comportamento dos adultos; por isso, é importante refletir sobre os exemplos que estamos dando.”

A psicóloga reforça que preservar a infância também significa respeitar a privacidade da criança e evitar conteúdos que possam constrangê-la no presente ou no futuro.

Educação sexual também protege

Apesar da confusão frequente entre os temas, Marília ressalta que educação sexual e sexualização infantil são conceitos completamente diferentes. Enquanto a segunda representa um risco ao desenvolvimento, a primeira é uma ferramenta de proteção.

“Educação sexual não é falar de sexualidade de forma precoce. É ensinar, de acordo com a idade, sobre o corpo, respeito, consentimento, intimidade e proteção. É uma ferramenta importante para o desenvolvimento saudável e também para a prevenção de abusos.”

Segundo ela, ensinar a criança a reconhecer seu próprio corpo, compreender limites e identificar situações inadequadas fortalece sua autonomia e reduz vulnerabilidades.

Antes de publicar, vale uma pergunta

Com a rotina cada vez mais presente nas redes sociais, a psicóloga recomenda que pais e responsáveis reflitam antes de compartilhar imagens ou vídeos dos filhos. “Antes de publicar qualquer conteúdo, vale se perguntar: ‘Meu filho vai se sentir confortável com isso no futuro?’. A exposição na internet pode fugir do nosso controle, então preservar a privacidade e a dignidade da criança deve sempre vir em primeiro lugar.”

Ela lembra que, uma vez na internet, um conteúdo pode ser reproduzido, retirado de contexto e alcançar públicos muito além do imaginado pelos responsáveis.

Para Marília Zanette, a principal responsabilidade dos adultos é garantir que a infância seja vivida sem pressa e com proteção. “A infância é uma fase única e precisa ser protegida. Quando respeitamos o tempo da criança, seus limites e sua privacidade, estamos favorecendo um desenvolvimento emocional mais saudável e construindo relações baseadas em segurança e respeito.”

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