Saúde mental materna entra em alerta: depressão pós-parto afeta 1 em cada 4 mulheres

A depressão pós-parto atinge cerca de 25% das mulheres no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário acende um alerta para a saúde mental materna, especialmente durante o puerpério — período marcado por intensas mudanças físicas, hormonais e emocionais após o nascimento do bebê.

A OMS estima ainda que centenas de mulheres morrem diariamente no mundo por complicações relacionadas à gravidez, parto e pós-parto, muitas delas evitáveis. Já o Ministério da Saúde alerta que quadros graves de depressão pós-parto podem evoluir para psicose puerperal, condição associada a riscos de suicídio e até infanticídio.

Diante desse cenário, o Brasil realiza desde 2021 a campanha Maio Furta-Cor, movimento que busca ampliar o debate sobre saúde mental materna e combater a romantização da maternidade.

Segundo a médica ginecologista e obstetra Maria de Fatima Schettino, os impactos do puerpério vão além das questões emocionais e sociais.

“Também existem causas biológicas. Gestação, parto e puerpério provocam intensas mudanças hormonais, físicas e emocionais que impactam diretamente o equilíbrio mental da mulher. O puerpério, em especial, é um período de grande vulnerabilidade e precisa de atenção e acolhimento. Por isso, é fundamental garantir apoio familiar, escuta, descanso e acesso à saúde. Cuidar da saúde mental materna fortalece as famílias, protege o desenvolvimento das crianças e promove saúde pública”, afirmou a médica.

No Espírito Santo, os hospitais estaduais Hospital Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha, e Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, na Serra, promovem ações voltadas ao acolhimento emocional de mães durante o mês de maio.

O diretor-geral do Himaba, Claudio Amorim, destacou a importância do cuidado integral, principalmente para mães de bebês internados em unidades neonatais. “Entendemos que a internação do bebê impacta diretamente a saúde emocional das mães. Por isso, buscamos desenvolver ações que promovam acolhimento, escuta e fortalecimento durante esse momento delicado. As equipes de Psicologia e Serviço Social já atuam nessa linha.”

A gerente do setor de acolhimento do Hospital Dr. Jayme, Fabiana Colares, reforçou os desafios enfrentados pelas mães durante o período.

“Nós sabemos as dificuldades enfrentadas pelas mães. Uma mãe de bebê na UTIN sofre ainda mais, porque precisa lidar emocionalmente com a internação do filho. No caso dessa paciente, são dois filhos.”

As ações seguem ao longo do mês com atividades do projeto “Tricotando com Elas”, que promove, no dia 14 de maio, uma roda de conversa sobre saúde mental materna em alusão ao Maio Furta-Cor.

Para a diretora de Cuidados Assistenciais do hospital, Alessandra Bernardino, o acolhimento é essencial.

“A maternidade, por si só, já traz mudanças intensas e, quando somada ao ambiente hospitalar, exige ainda mais acolhimento, escuta qualificada e suporte emocional.”

Entre os principais objetivos da campanha Maio Furta-Cor estão:

  • combater a romantização da maternidade;
  • ampliar o acesso ao acolhimento psicológico;
  • incentivar redes de apoio;
  • discutir saúde mental materna como questão de saúde pública;
  • reduzir o preconceito em relação ao sofrimento emocional das mães.

A campanha também chama atenção para os riscos do puerpério, considerado um dos períodos mais delicados da vida da mulher. A mortalidade materna inclui mortes ocorridas até 42 dias após o parto, justamente pela vulnerabilidade física e emocional dessa fase.

Especialistas apontam fatores que agravam o sofrimento mental materno:

  • privação extrema de sono;
  • sobrecarga mental;
  • ausência de rede de apoio;
  • violência obstétrica;
  • pressão pela “maternidade perfeita”;
  • dificuldades financeiras;
  • isolamento emocional.

A cor furta-cor, símbolo da campanha, representa justamente as múltiplas experiências da maternidade — marcadas por amor, exaustão, medo, culpa e transformação.

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