A hipertensão arterial, condição que atinge cerca de 30% da população adulta no país, tem avançado de forma silenciosa e preocupante. Dados do Ministério da Saúde, por meio da pesquisa Vigitel, apontam que metade das pessoas com pressão alta não sabe que convive com a doença — fator que aumenta significativamente os riscos à saúde.
Embora seja amplamente associada a problemas cardiovasculares, como infarto e AVC, a hipertensão arterial também tem impacto direto sobre os rins. Especialistas alertam que a condição está entre as principais causas de doença renal crônica e insuficiência renal.
De acordo com o cardiologista Augusto Neno, da MedSênior, a pressão alta provoca danos progressivos aos vasos sanguíneos renais, comprometendo a capacidade de filtração do sangue. “A hipertensão acelera o dano aos vasos dos rins e a perda da função renal. Ao mesmo tempo, rins já comprometidos contribuem para a elevação da pressão, criando um ciclo prejudicial para o paciente”, explica.
Esse ciclo se intensifica porque a doença afeta os glomérulos — estruturas responsáveis pela filtragem do sangue — agravando ainda mais o quadro. Por isso, o controle rigoroso da pressão arterial é essencial para preservar a função renal e evitar complicações.
Nos estágios iniciais, tanto a hipertensão quanto a insuficiência renal podem não apresentar sintomas. Ainda assim, níveis elevados e de difícil controle da pressão podem ser um sinal de alerta para problemas nos rins.
O diagnóstico precoce é fundamental. Exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue e a análise de albumina na urina, ajudam a identificar alterações na função renal. Com a progressão da doença, podem surgir sintomas como inchaço nas pernas e tornozelos, inchaço ao redor dos olhos e urina espumosa, indicando perda de proteínas.
Nos últimos anos, os casos de hipertensão no Brasil cresceram 3,7%, reforçando a necessidade de conscientização. O Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, celebrado neste domingo (26), é uma oportunidade para alertar a população sobre os riscos da doença.
A hipertensão é caracterizada pela elevação constante da pressão sanguínea nas artérias e está associada a fatores como sedentarismo, alimentação rica em sal, obesidade, consumo de álcool, tabagismo, envelhecimento e predisposição genética.
Prevenção passa por hábitos saudáveis
Especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida são a principal forma de prevenir a doença e proteger os rins. A recomendação é manter uma alimentação equilibrada, com redução no consumo de sal — limitado a até dois gramas por dia — e priorizar alimentos naturais. Atualmente, a média de consumo no Brasil chega a cerca de sete gramas diárias.
A prática regular de atividade física também é essencial, ajudando no controle do peso, do colesterol e da pressão arterial.
Outras orientações incluem evitar o consumo de álcool, não fumar, controlar o estresse, realizar check-ups regulares e monitorar a pressão com frequência.









