A morte da influenciadora digital potiguar Simone Maniçoba, de 45 anos, acende um alerta sobre os riscos associados a procedimentos estéticos. O episódio, ocorrido em Mossoró, evidencia a necessidade de maior conscientização acerca dos perigos envolvidos em cirurgias plásticas.
Conhecida por sua atuação nas redes sociais, Simone Maniçoba se preparava para realizar uma lipoaspiração quando apresentou complicações. De acordo com informações de Gledson Marques, amigo da família, durante o processo de anestesia e preparação para a cirurgia, Simone sofreu uma parada cardiorrespiratória.
A paciente permaneceu em parada cardiorrespiratória por cerca de um minuto e meio. Embora tenha sido reanimada, evoluiu com edema cerebral, decorrente da falta de oxigenação durante a intercorrência. Após ser estabilizada, foi internada na UTI do Hospital Wilson Rosado, mas, infelizmente, não resistiu, tendo a morte encefálica confirmada no último domingo, dia 28.
O cirurgião plástico e médico perito Fernando Esbérard destaca a importância da segurança em cirurgias estéticas. De acordo com ele, o caso reforça a necessidade de um debate aprofundado sobre a segurança desses procedimentos, a escolha criteriosa de profissionais qualificados e a adequada conscientização dos pacientes quanto aos riscos envolvidos.
“Agora é indispensável uma perícia médica para sabermos, de fato, o que houve”, afirmou. “Somente a análise técnico-científica do prontuário médico, das condições do ato anestésico e cirúrgico, da estrutura hospitalar e da cronologia dos eventos permitirá esclarecer se o desfecho decorreu de uma intercorrência imprevisível ou de fatores evitáveis, garantindo transparência, segurança jurídica e respeito à família.” O especialista esclareceu ainda que “uma parada cardiorrespiratória no início da cirurgia costuma ser compatível com uma complicação anestésica aguda, e as hipóteses incluem uma reação medicamentosa, anafilaxia, toxicidade por anestésico local ou uma condição cardíaca prévia. Devemos considerar também o uso de medicamentos controlados ou outras substâncias.”
Os riscos podem ser reduzidos quando o paciente opta por profissionais habilitados e por hospitais com estrutura adequada para o manejo de intercorrências. José Armando Faria Jr., presidente da SBCP-ES, também acredita na hipótese de fatalidade, ressaltando que, segundo familiares, a paciente havia realizado exames pré-cirúrgicos e apresentava bom estado de saúde.
A busca por padrões estéticos e pela beleza, muitas vezes, pode expor pacientes a riscos relevantes. Torna-se essencial que a sociedade, os profissionais de saúde e as entidades regulamentadoras adotem medidas contínuas para assegurar maior segurança e o bem-estar dos pacientes.









