Voltar para casa sem o bebê nos braços é uma das experiências mais dolorosas que uma mãe pode enfrentar. Vivi parte dessa dor há quase 14 anos, ao receber alta médica e deixar minhas filhas gêmeas, nascidas com 32 semanas, na UTI Neonatal de um hospital em Vitória. Foram 29 dias de silêncio, espera e pequenas vitórias. Hoje, são adolescentes saudáveis e cheias de vida — mas a memória daquele período permanece viva.
Neste mês das mães, duas mulheres públicas enfrentaram uma dor irreparável: a perda dos filhos na reta final da gestação. A apresentadora Tati Machado, de 33 anos, estava na 33ª semana de gravidez quando percebeu a ausência de movimentos do bebê. Após buscar atendimento médico, foi submetida a uma cesariana de emergência, mas infelizmente a criança não resistiu.
Poucos dias depois, a atriz e humorista Micheli Machado, de 44 anos, passou pela mesma tragédia. No dia 9 de maio, também notou a ausência de movimentos fetais e passou por uma cirurgia de emergência — seu bebê já havia falecido. Micheli, que é mãe de Morena, de 13 anos, é casada com o ator Robson Nunes.
O que pode causar óbito fetal no final da gestação?
Diante da dor, é comum surgirem perguntas difíceis: o que aconteceu? O que poderia ter sido feito? Embora raro, o óbito fetal no terceiro trimestre pode ocorrer por uma série de fatores, como explica a ginecologista e obstetra Anna Bombato:
“O óbito pode ser causado por diversas doenças, como problemas na placenta — descolamento ou insuficiência placentária —, pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes mal controlado e infecções intrauterinas”, explica a médica.
Há ainda outras causas menos comuns, porém graves, como:
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Complicações no cordão umbilical (nó verdadeiro, circular apertada);
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Trombofilias e doenças autoimunes;
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Retardo de crescimento intrauterino (RCIU);
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Traumas abdominais;
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Situações sem causa aparente (cerca de 30% dos casos).
A médica reforça que um pré-natal regular e de qualidade, com controle rigoroso de doenças pré-existentes como hipertensão e diabetes, é fundamental para minimizar os riscos.

Atenção aos sinais do corpo
A obstetra também destaca a importância de monitorar os movimentos fetais, um dos principais indicadores de bem-estar do bebê:
“Se a gestante notar diminuição ou ausência de movimentos, deve deitar-se de lado em um ambiente calmo e contar os movimentos por uma hora. Se eles continuarem ausentes ou muito reduzidos, deve procurar atendimento médico imediatamente”, orienta Anna Bombato.
Outros sinais de alerta incluem:
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Dor abdominal intensa;
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Sangramento;
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Dor de cabeça persistente e intensa;
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Alterações visuais (manchas, visão turva);
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Inchaço repentino e exagerado;
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Febre ou sintomas de infecção.
Após a perda: o cuidado com a mãe
Caso a perda aconteça, o momento exige delicadeza. Comentários como “você é jovem, pode tentar de novo” ou perguntas invasivas sobre a causa da morte só aprofundam a dor. A mãe precisa de acolhimento, tempo para viver o luto e, muitas vezes, de acompanhamento psicológico.
“É fundamental que a mulher passe por avaliação médica no pós-parto para investigar as causas do óbito e prevenir complicações como anemia ou infecções”, explica a obstetra.
A rede de apoio, tão valorizada para a chegada de um recém-nascido, torna-se essencial também nesse momento para amparar quem está emocionalmente fragilizada.
Planejamento de futuras gestações
A médica aconselha que, quando a mulher se sentir pronta, é importante conversar com seu médico sobre uma futura gestação:
“É essencial investigar possíveis causas da perda anterior, para prevenir repetições e garantir um acompanhamento ainda mais cuidadoso”, conclui Anna Bombato.









