O outubro rosa existe para chamar a atenção sobre o tipo de tumor mais comum entre as mulheres no Brasil, no mundo. Dados do Instituto do Câncer (INCA) apontam o aparecimento de cerca de 28% de novos casos da doença em mulheres e 1% nos homens.
Por ser raro, o médico recomenda a primeira mamografia aos 40 anos e em mulheres com diagnóstico na família o médico orienta que seja antes dessa idade.
Dentro desse quadro, estão incluídos as mulheres e homens transgêneros, pessoas que não se enquadram com o corpo que nasceram. Mesmo não se identificando com o corpo que pertencem e fazendo intervenções para se adequar, a biologia mamaria não fica alterada.
A oncologista, Juliana Alvarenga Rocha, explica as diferenças entre o homem e a mulher trans. “A mulher trans usa hormônios para afirmação de gênero. O hormônio usado é o estrogênio, que desenvolve a mama. Essa nova mulher pode ter risco de câncer de mama. Uma mulher trans tem cerca de 47 vezes mais chance de desenvolver a doença que um homem CIS gênero”.
Já o homem trans tem um risco reduzido, segundo a médica, principalmente quando já fez o procedimento de retirada da mama, que chamamos de mastectomia bilateral, onde toda a mama é retirada. “Ainda assim tem o risco, porque fica um pouco de tecido mamário residual, então ainda assim, aquele tecido remanescente pode ser o suficiente para desenvolver a doença”.
Exames
A médica afirma que mesmo sendo trans, é necessário fazer os exames periódicos. “O homem e a mulher trans, precisam passar por um mastologista para fazer exames de rastreamento. É necessário que o especialista faça o acompanhamento porque em casos de mama acessória (quando há tecido mamário em um local que não seja a mama. Dou como exemplo, o homem trans que removeu as mamas, mas pode ser que ele tenha algum tecido no organismo ainda, mesmo que não tenha mais os seios”.
A especialista aconselha que essas pessoas tenham consciência da importância de fazer exames anuais. “O homem trans que faz a mastectomia deve continuar fazendo o autoexame e consultas periódicas, principalmente se tiver alguma mutação hereditária. O exame de mamografia fica comprometido por causa da ausência de tecido mamário, mas o autoexame é indispensável”.
A campanha do mês de prevenção ao câncer de mama é toda trabalhada no feminino, a cor da campanha, tudo é voltado para a mulher. Não é preconceito. Os homens são minoria no desenvolvimento da doença na mama. Felipe Dutra Moulin entrou para essa estatística.
“Em 2013, notei uns caroços no peito e fui ao médico para saber o que era. Como a grande parte dos homens que tem a doença, recebi um diagnóstico glândulas de gordura”.
Dutra acredita que os médicos apesar de tanto estudo não pensam na possibilidade de doença grave. “Eu acredito que é preciso ter a sorte de encontrar um médico com essa sensibilidade, para pensar na possibilidade de ser um câncer. Na época o médico afirmou ser um nódulo de gordura, que poderia ser retirado quando eu me sentisse incomodado”.
O tempo passou, os nódulos continuarem ali, sem incomodar ou chamar atenção. Até que a história mudou. “Em 2021, durante a pandemia, eu estava praticando atividade física regularmente e os quilos que eu adquiri durante o período mais crítico da pandemia, estava eliminando, o que destacou os caroços no peito. Procurei um cirurgião plástico para fazer a cirurgia, que me pediu outro ultrassom. O médico achou aqueles cinco “nódulos de gordura” grandes e me encaminhou para o mastologista”.
No histórico familiar de Felipe Dutra tinham dois casos, da avó paterna e tia paterna, que tiveram câncer de mama na década de 80, e outros casos mais distantes. Com essa informação, o médico achou melhor investigar e novos exames foram feitos.
“O médico pediu uma biopsia para não ter nenhuma dúvida ou surpresa no dia da cirurgia. Quando fui para a biopsia a médica me pediu mamografia antes da biopsia, que é tão comum em mulheres, mas que nem o plano de saúde acredita e não aprova de imediato. O exame apontou o câncer e a biopsia comprovou. Então me restou apenas saber qual era o tipo e o estágio”.
Ele, assim como as mulheres, fez quimioterapia para tentar reduzir os nódulos, depois a cirurgia de mastectomia radical, esvaziamento da axila e depois seguir para a radioterapia.
“Em 22 de outubro de 2021, eu comecei o tratamento de medicação com acompanhamento a cada três meses com oncologista, a cada seis meses com mastologista com exames de imagem, de sangue para acompanhar, para não ter metástase e a minha conversa com os médicos que mesmo sendo um dos mais experientes do estado, só operou até o momento cinco homens, e o oncologista tinha tratado apenas um. Nesse ano o oncologista já tratou dois e o mastologista mais um. Não sei se o câncer está aumentando, ou se os homens estão procurando mais”.
Hoje, após passar por tudo isso, ele sugere a todos os homens: “faça o autoexame. Se sente incomodo quando está deitado de barriga para baixo, surfando, como eu sentia, faça”, finalizou.









