A dor da alma e a dor do corpo. A correria do dia a dia e as frustrações nos afetam de diversas formas. É preciso entender os sinais que o corpo nos dá, saber a hora de parar. O transtorno mental pode afetar o físico, porque estão ligados; e diferente dos diagnósticos que doenças físicas têm, o transtorno mental exige um outro olhar.
Segundo a psicóloga Naira Teixeira, existe uma distinção entre o transtorno mental e o transtorno físico, mas que não deveria existir se tratando de saúde/doença, pois sugere um dualismo do indivíduo, que divide os aspectos humanos entre mente e corpo. O que nos acontece no corpo nos afeta mentalmente – vice-versa.
“Mas no caso de transtorno mental, nenhuma definição especifica se adequa os contornos precisos de um adoecimento psíquico, como o que acontece ao identificarmos uma úlcera ou uma inflamação no corpo. O sofrimento mental tem sido definido por uma variedade de conceitos (transtorno, padrão sindrômico, rigidez, descontrole, irracionalidade, incapacitação…). Cada um desses termos é um indicador útil para identificar um sofrimento psíquico, mas nenhum equivale ao conceito de sofrimento mental. Diferentes situações exigem diferentes definições”.
De acordo com a psicóloga, o transtorno se caracteriza pela incapacitação significativa de ter qualidade de vida dentro de um contexto sócio-cultural-econômico, que também deve ser considerado.
“Devemos tomar cuidado em rotular as pessoas. Não se pode classificar uma pessoa como esquizofrênico ou depressivo; que temos é um indivíduo com esquizofrenia ou um indivíduo com depressão. Indivíduo é caracterizado pela complexidade de sua existência em diferentes situações. Não se rotula ninguém por estar em sofrimento mental”.
Essa complexidade entre o limite da “normalidade” e a “patologia” devem ser respeitados dentro de um comportamento, levando em consideração a cultura em que o indivíduo está inserido, costumes familiares, tradições e qualidade de vida a serem considerados dentro da realidade social de cada pessoa. Não se pode definir um padrão de normalidade que serve a qualquer indivíduo em qualquer lugar do mundo
Nas Unidades básicas de saúde, Centro de Atenção psicossocial, Hospitais, ambulatórios psiquiátricos e de psicologia, e as faculdades de psicologia geralmente oferecem um serviço à comunidade, como atendimento psicológico mais acessível.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) presta serviço voluntário e gratuito de prevenção do suicídio e apoio emocional para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo. Os mais de 3,6 milhões de atendimentos de 2021 foram realizados por cerca de 4.200 voluntários em mais de 120 postos de atendimento pelo telefone 188 (sem custo de ligação), ou pelo site www.cvv.org.br, via chat e e-mail apoioemocional@cvv.org.br, além de carta. A entidade realiza também ações presenciais (temporariamente suspensas devido à pandemia), como palestras, Curso de Escutatória e grupos de apoio a sobreviventes do suicídio – GASS (https://www.cvv.org.br/cvv-comunidade/). O CVV é uma entidade financeira e administrativamente independente, mantendo-se por meio de doações de pessoas físicas e jurídicas – para colaborar, acesse https://www.cvv.org.br/colabore.
Sobre o suicídio
O suicídio é um problema de saúde pública que mata pelo menos um brasileiro a cada 45 minutos, mais do que o HIV e muitos tipos de câncer. O movimento Setembro Amarelo, iniciativa brasileira para ampliar o impacto do dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, foi iniciado em 2015 para sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão. Para saber mais, acesse www.setembroamarelo.org.br
* Dados do Ministério da Saúde
Fonte: CVV
Texto de Andressa Mota
Edição de Rafaela Maia









