Como o ES alcançou 30 mil casos de dengue em apenas dois meses?

O aumento de casos de dengue em 2023 somado a circulação de um novo sorotipo alerta especialistas do Espírito Santo quanto ao risco de retransmissão da doença. Somente nos dois primeiros meses de 2023 foram 29.717 registros, sendo 5.547 somente na última semana de fevereiro. O número é expressivo se levado em conta que nos doze meses de 2022 foram registrados 20.929 casos.
Diante aos dados do Boletim da Dengue, o chefe do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental da Sesa, Roberto Laperriere, apontou como justificativa três possibilidades. “Um dos grandes motivos é quanto a subnotificação dos casos de dengue causadas pela pandemia do Covid-19, já que os pacientes com sintomas mais leves da doença hesitavam em buscar os serviços de saúde”.
“Podemos também apontar o verão muito chuvoso como um potencializador, já que com a grande disponibilidade de depósitos cresceram também a quantidade de viveiros para reprodução do mosquito”, completa o especialista.
Além do aumento do número de casos, também foi registrada pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) a circulação do DENV-2, um dos quatro sorotipos de vírus da dengue que não tinha circulação detectada desde 2019 no Estado. “Essa circulação pode ser elencada como um terceiro potencializador. Isolamos recentemente o sorotipo 2, mas isso não quer dizer que já não estava circulando desde o inicio do ano”, ilustra Roberto.
A médica infectologista Martina Zanotti, aponta que o retorno da circulação desse sorotipo era esperada. “A gente tem uma sazonalidade, que volta e meia aparece o tipo 1, volta e meia aparece o tipo 2. Isso está dentro do esperado. O que tem circulado menos é o 3 e o 4”.
Uma grande preocupação da Sesa é quanto a suscetibilidade da população a esse sorotipo. “Por muito tempo, conseguimos isolar esse sorotipo e isso fez com que a população não tivesse contato, por isso grande parte é suscetível ao DENV-2”, aponta o chefe do Núcleo Especial de Vigilância Ambiental da Sesa.

Reinfecção

Laperriere aponta que a infecção pelo vírus da dengue garante imunidade transitória ao paciente, isto é, impossibilidade de reinfecção por um tempo. “Por exemplo, o paciente que é infectado pelo vírus da dengue tipo 1 não adoece nem por esse nem por outros sorotipos da dengue por um período de três a quatro meses. Essa imunidade vale para qualquer sorotipo”.
Porém, como tudo que é bom dura pouco, com a imunidade da dengue não é diferente. E, de acordo com os especialistas, a reinfecção por qualquer sorotipo de dengue pode levar o paciente a desenvolver quadros mais graves da doença. “Mais importante do que estar atento ao sorotipo da doença, é fundamental evitar a reinfecção. Para quem já teve dengue, o perigo aumenta no caso de uma segunda ou terceira contaminação pelo mosquito Aedes Aegypti”, aponta doutora Martina.

Segundo a especialista, existem quatro tipos do vírus da dengue e eles são basicamente a mesma coisa em termos de transmissão e quadro clínico. “O maior perigo da dengue é uma segunda ou terceira infecção. As próximas infecções tendem a ser mais graves do que aquele indivíduo que adquire pela primeira vez a doença”.

Sinais de alerta

Com o aumento do número de casos da doença é fundamental saber reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda médica o mais rápido possível. “Na presença de algum desses sintomas é preciso procurar imediatamente um  atendimento médico”, orienta a infectologista.

  • tonteira e sensação de desmaio;
  • vômitos persistentes;
  • dor abdominal;
  • sangramentos;
  • palpitações;
  • sonolência ou irritabilidade.

Prevenção

Além da dengue, o mosquito Aedes Aegypti também é responsável pela transmissão de zika e Chikungunya. “Evitar o surgimento do mosquito é a melhor forma de se ver livre das doenças, por isso a secretaria recomenda o combate semanal aos focos de dengue”, explica Roberto.

Confira abaixo o checklist que deve ser realizado toda semana:

  • Limpe o quintal, jogando fora o que não é utilizado;
  • Tire a água dos pratos de plantas;
  • Coloque garrafas vazias de cabeça para baixo;
  • Tampe tonéis, depósitos de água, caixas d’água e qualquer tipo de recipiente que possa reservar água;
  • Mantenha os quintais bem varridos, eliminando recipientes que possam acumular água, como tampinha de garrafa, folhas e sacolas plásticas;
  • Escove bem as bordas dos recipientes (vasilha de água e comida de animais, pratos de plantas, tonéis e caixas d’água) e mantenha-os sempre limpos.

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