Há sonhos que precisam de coragem, planejamento e algum tempo para sair do papel. Outros pedem farinha, açúcar, fermento e uma panela com óleo quente. Neste 25 de setembro, Dia Mundial do Sonho, vale celebrar os dois.
A data surgiu em 2012 por iniciativa de Ozioma Egwuonwu, estrategista e educadora que criou o World Dream Day como um movimento voltado a incentivar pessoas e comunidades a não apenas pensar em seus sonhos, mas também dar passos para realizá-los. A proposta é transformar desejos, ideias e objetivos em ação.
Não se trata, portanto, do sonho que aparece enquanto dormimos. O “dream” da celebração é aquilo que queremos construir para o futuro: começar um projeto, aprender alguma coisa, mudar de profissão, fazer uma viagem, escrever um livro ou realizar aquele plano que vive sendo adiado.
Mas já que estamos falando de sonho, existe outro que merece espaço à mesa.
E por que o doce se chama sonho?
O clássico das padarias brasileiras é parente do Berliner, doce de massa fermentada e frita que se tornou tradicional na Alemanha. Uma das histórias mais conhecidas sobre sua origem remonta ao século XVIII e ao reinado de Frederico, o Grande, da Prússia.
Segundo a lenda, um jovem padeiro que queria servir ao exército não teria sido considerado apto para o combate. De volta à cozinha, teria criado bolinhas de massa inspiradas nas balas de canhão. Como não dispunha de forno, fritou a massa em gordura quente. Assim teria surgido um ancestral do Berliner.
A história atravessou gerações, embora não haja documentação suficiente para tratá-la como origem comprovada do doce.
Com a imigração alemã, preparações semelhantes chegaram ao Brasil e foram adaptadas. Por aqui, a massa frita ganhou principalmente recheios de creme de confeiteiro e doce de leite e passou a ser conhecida como “sonho”. O doce começou a aparecer nas padarias brasileiras no início do século XX e se tornou um daqueles clássicos de balcão que dispensam apresentação.
A razão exata para o nome brasileiro é menos clara do que a história da receita. Há versões que associam o batismo à leveza e ao sabor do doce, como algo “dos sonhos”, mas não há uma origem documental segura para a denominação.
O que sabemos é que poucos sonhos são tão fáceis de realizar. Este, inclusive, fica pronto na cozinha.
Sonho de padaria
Ingredientes para a massa
500 g de farinha de trigo
10 g de fermento biológico seco
3 colheres (sopa) de açúcar
2 ovos
200 ml de leite morno
2 colheres (sopa) de manteiga
1 pitada de sal
Óleo para fritar
Açúcar para finalizar
Para o creme
500 ml de leite
3 gemas
4 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de amido de milho
1 colher (chá) de essência ou extrato de baunilha
Modo de preparo
Misture o fermento, o açúcar e parte do leite morno. Acrescente os ovos, a manteiga e o restante do leite. Junte a farinha aos poucos e, por último, o sal. Sove até obter uma massa lisa e elástica.
Cubra e deixe descansar até dobrar de volume. Divida a massa em pequenas porções, modele bolinhas e coloque sobre uma superfície enfarinhada. Deixe crescer novamente por cerca de 30 minutos.
Enquanto isso, prepare o creme. Misture as gemas, o açúcar e o amido. Acrescente o leite e leve ao fogo baixo, mexendo sempre, até engrossar. Retire do fogo, coloque a baunilha e deixe esfriar.
Frite os sonhos em óleo quente, mas não excessivamente quente, virando para que dourem por igual. Escorra em papel absorvente e passe pelo açúcar.
Depois de frios ou mornos, faça um corte lateral sem separar completamente as duas partes e recheie generosamente com o creme.
E pronto: no Dia Mundial do Sonho, se aquele sonho grande ainda parece distante, comece pelo que cabe no prato. Amanhã a gente volta a correr atrás dos outros.










