A história de 2022 volta a bater à porta da política capixaba. Há quatro anos, o então governador Renato Casagrande (PSB), candidato à reeleição, enfrentou Carlos Manato (PL), impulsionado pela força do bolsonarismo no Espírito Santo.
Agora, guardadas as devidas diferenças, o roteiro começa a apresentar algumas semelhanças. De um lado, Ricardo Ferraço (MDB), candidato do grupo governista. Do outro, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que deixou claro o seu aceno ao bolsonarismo ao declarar Flávio Bolsonaro (PL) como seu pré-candidato à Presidência da República.
O primeiro ponto é: nada impede Ricardo de repetir o fenômeno do “Casanaro”, registrado em 2022. Naquela eleição, especialmente no interior, houve prefeitos e lideranças que pediram voto em Casagrande para o Governo do Estado e em Jair Bolsonaro (PL) para a Presidência.
Um “Ricardaro” ou “Ferraçaro”, como preferirem, não seria algo fora da realidade. E Ricardo pode até estar em uma posição partidária mais confortável do que Casagrande estava há quatro anos.
Em 2022, o PSB tinha Geraldo Alckmin como vice de Lula (PT). Neste ano, a tendência é de que a composição seja repetida. O MDB, por outro lado, não necessariamente estará formalmente na chapa presidencial. E, caso esteja em uma aliança nacional, dirigentes da legenda já defendem a autonomia dos diretórios nos estados.
Mas há o outro lado da história. Em 2022, Bolsonaro venceu os dois turnos da eleição presidencial no Espírito Santo. A força do bolsonarismo também foi fundamental para impulsionar Manato até o segundo turno da disputa estadual.
Pode acontecer novamente? Pode. Mas existem diferenças importantes.
Pazolini chega à disputa com um ativo que Manato não possuía naquele momento: a experiência de ter comandado a Prefeitura de Vitória. Tem recall próprio, trajetória administrativa e predicados eleitorais que não dependem exclusivamente da associação ao bolsonarismo.
A bandeira de Bolsonaro, portanto, pode ampliar a força de Pazolini junto a um eleitorado já consolidado à direita. Mas também traz um peso. As pesquisas nacionais têm demonstrado como a polarização política está diretamente associada a elevados índices de rejeição.
E aí está a balança que a campanha de Pazolini terá de observar. Ao assumir de forma mais clara a bandeira bolsonarista, pode consolidar o eleitor da direita, mas também corre o risco de criar dificuldades na aproximação com uma parcela mais ao centro que já enxergava nele um nome competitivo independentemente de Bolsonaro.
Ricardo, por sua vez, pode explorar justamente esse espaço. Com um perfil historicamente mais ligado ao centro e à centro-direita, tem condições de buscar o eleitor que não deseja embarcar na polarização nacional e, ao mesmo tempo, dialogar com lideranças que podem repetir a lógica do voto casado de 2022.
A história não necessariamente se repete. Mas, quatro anos depois, ela voltou a bater à porta da política capixaba.
O vencedor da rodada
No fim das contas, quem pode sair como um dos grandes vencedores dessa movimentação é Magno Malta (PL). Com o alinhamento de Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao campo bolsonarista, o senador ganha um palanque eleitoralmente competitivo para fortalecer Flávio Bolsonaro (PL) no Espírito Santo.
Pauta ideológica
Magno também consegue algo além do palanque. Com o acordo sendo alinhavado, tende a levar para perto da campanha de Pazolini as pautas ideológicas que historicamente defende. Resta saber até que ponto o ex-prefeito de Vitória vai incorporá-las ao seu discurso e à estratégia eleitoral.
Preparando o terreno
Há ainda outro movimento que merece atenção: Maguinha Malta (PL). Naturalmente, Magno defenderá publicamente a competitividade da filha na disputa pelo Senado. Mas o resultado das urnas também pode servir como um importante teste eleitoral para os próximos anos.
De olho em 2030
Uma boa votação, mesmo que não resulte em vitória, pode consolidar Maguinha para 2030, seja para qual cargo for. Aos poucos, Magno parece preparar o terreno para que a filha ganhe musculatura e espaço próprio dentro da direita capixaba. Mais do que uma eleição isolada, pode estar em curso a construção de uma sucessora política.
Quem ganha mais?
Na leitura de especialistas, o bolsonarismo tende a ganhar mais com a adesão de Pazolini, do que o próprio republicano. A ver.
Análise
O Candela realizou análise de sentimentos nas redes sociais após o anúncio do apoio a Flávio Bolsonaro por Pazolini. E, no retrato verificado, houve avaliação bastante negativa ao republicano.
Consequências
Houve relatos de que membros do governo estadual foram em busca de acenos ao PSD, após o afago patente ao PL por Pazolini. Em seguida, manifestações de que o Republicanos teve de colocar sua tropa de choque para atuar.
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Cem dias
Ricardo Ferraço vem potencializando o que fez ao longo de 100 dias. Já falou sobre segurança e rodovias.
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Da Vitória, da Itália
O coordenador da bancada federal capixaba e presidente da federação União Progressista, deputado federal Da Vitória (Progressistas), participou, no último fim de semana, da Festa da Colônia Italiana Fratelli D’Itália, em Marilândia. O parlamentar se arriscou até a preparar o maior capelete do Brasil
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Na moita
Dizem que a fonte de um reduto de poder secou. E isso tem deixado muitos políticos bem revoltados.
Tá na rede
“Pela valorização de quem dedica a vida à educação com piso salarial digno e reconhecimento profissional”
Fabiano Contarato (PT), senador



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