Finalizado o Carnaval, o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), entra num período decisivo para fazer seu dever de casa, em matéria de política, e realizar definições importantes no tabuleiro eleitoral do Espírito Santo.
Passada a folia, começa o jogo bruto. E o primeiro movimento é também o mais aguardado: confirmar, ou não, a candidatura ao Senado. Casagrande tem até 4 de abril para bater o martelo, mas já avisou que março será o mês das decisões. Liderando com folga as pesquisas de intenção de voto, sua eventual eleição é tratada como altamente provável nos bastidores.
A dúvida que circula no mercado político é estratégica: vale a pena deixar o Palácio Anchieta agora ou é mais prudente permanecer na cadeira para conter investidas adversárias? O bloco que se desenha com os prefeitos de Vitória e Vila Velha, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Arnaldinho Borgo (PSDB), respectivamente, tende a intensificar o embate. Fora do cargo, conseguiria Casagrande sustentar a articulação com a mesma força? Ou Ricardo Ferraço (MDB), seu vice-governador e seu candidato ao Palácio Anchieta, seria suficiente para absorver o desgaste e manter a base coesa?
Caso opte pela renúncia, outro ponto sensível se impõe: a montagem do novo arranjo administrativo sob o comando de Ricardo. Ainda que permaneça no cargo, o desafio não desaparece. Parte significativa do secretariado deve disputar as próximas eleições, o que exigirá reposições criteriosas. A máquina não pode perder ritmo. Será preciso assegurar continuidade, preservar índices de aprovação e, ao mesmo tempo, acomodar expectativas partidárias.
A equação se torna mais delicada quando se observa a montagem das chapas. Há muitos aliados pleiteando espaço e protagonismo. A distribuição de pré-candidaturas entre legendas precisará ser calibrada com precisão. Se pender demais para um lado, cria-se ruído; se faltar densidade em outro, compromete-se o projeto. A balança política exige sensibilidade e jogo de cintura.
Nesse contexto, o governador também terá papel central na escolha do vice na chapa de Ricardo Ferraço. A definição não pode ser meramente simbólica. É necessário agregar competitividade, ampliar capilaridade eleitoral e, simultaneamente, contemplar forças que sustentam o grupo. Trata-se de uma escolha que dialoga tanto com o presente quanto com o pós-2026.
Há, é verdade, sinais animadores. O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), tem emitido indicativos de que a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, tende a permanecer alinhada ao projeto casagrandista (e “ricardista/ferracista”, como preferirem). Contudo, o compromisso ainda não foi formalizado, e incertezas seguem no ar.
Casagrande reúne capital político, recall eleitoral e liderança consolidada. Mas dispõe de pouco tempo para resolver múltiplas frentes numa disputa que se desenha acirrada, sobretudo após recentes reposicionamentos de aliados. O Carnaval acabou. Agora, é hora de cumprir o dever de casa eleitoral.
***
Quem ganha
O deputado federal Evair de Melo (Progressistas), nos bastidores, vem se reforçando eleitoralmente com a união entre Pazolini e Arnaldinho. O parlamentar ganha mais espaço de circulação e ainda créditos por articulações.
Divisões
A Quarta-Feira de Cinzas provocou divisões nos eixos de presença nas missas. Enquanto Arnaldinho e Pazolini foram ao Convento da Penha, Casagrande preferiu a missa na Catedral Metropolitana de Vitória.
Divisões na Ales
Espera-se ainda por possíveis tensionamentos na Assembleia Legislativa entre apoiadores de Arnaldinho/Pazolini e de Casagrande/Ricardo. A ver.
***
Novo desafio I
PT estadual vai ter de lidar com o cenário nacional após o desfile em homenagem ao presidente Lula (PT), realizado pela Acadêmicos de Niterói, ter passado longe de surtir o efeito esperado. Um grande problema está relacionado quanto a parte do público evangélico, quanto ao tema “família conservadora” exibido na Sapucaí.
Novo desafio II
Pesquisa demonstrou que o Espírito Santo é o estado mais evangélico do Brasil, o que faz com que seja necessário a adoção de estratégias para que os políticos consigam falar com todos os segmentos.
***
Na esteira
Pré-candidato ao governo do Estado pelo PT, o deputado federal Helder Salomão aproveitou também a Quarta-Feira de Cinzas para colocar o treino de corrida em dia na esteira. “O foco continua”, disse o parlamentar.
***
Eleição
Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) realiza na próxima segunda-feira (23) eleição para os cargos de corregedor-geral e ouvidor. Concorrem para corregedor: Fábio Vello Corrêa e Cezar Augusto Ramaldes da Cunha Santos. Já para ouvidor, Carla Viana Cola e Josemar Moreira.
Concurso
Instituição, que está realizando o concurso para promotor de Justiça, já deu sinais de que vai realizar, em breve, o certame dedicado para servidores.
***
Fale com a coluna
Nosso e-mail é poder@eshoje.com.br.
Na moita
Dizem que um político não aguentava mais o Carnaval. Saudade da rotina, dizem.
Tá na rede
“Quando recursos públicos entram em cena, a responsabilidade precisa ser ainda maior”
Aylton Dadalto (Republicanos), vereador de Vitória



***






