Senador eleito neste pleito, o ex-governador Renato Casagrande (PSB) partiu para um movimento de tudo ou nada na tentativa de garantir a reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB).
O socialista está onipresente na campanha de seu sucessor. Nas redes sociais, onde mantém uma intensa relação com o público, faz uma defesa enfática do governo de Ricardo e de todo o projeto político do grupo. Ao mesmo tempo, vem desferindo fortes críticas ao adversário Lorenzo Pazolini (Republicanos).
E não fica apenas no ambiente digital. Casagrande também marca presença nas carreatas ao lado de Ricardo, numa tentativa de aproximar ainda mais o emedebista da população e ajudar a virar o jogo nas urnas.
Sob determinado ponto de vista, Casagrande poderia simplesmente descansar. Fez sua parte, garantiu uma vaga no Senado Federal e terá mandato pelos próximos oito anos. Mas a eleição trouxe sabores agridoces para o ex-governador.
Apesar dos elevados índices de aprovação de sua gestão, o prestígio pessoal não se traduziu automaticamente em transferência de votos para Ricardo. E o próprio Casagrande passou por um susto na disputa pelo Senado.
Durante parte da apuração, Evair de Melo (Republicanos) chegou a ficar à frente do ex-governador. Casagrande conseguiu superar o adversário, mas sem aquela margem confortável que talvez se esperasse de alguém que deixou o governo tão bem avaliado.
Outro ponto de atenção foi o desempenho do PSB na disputa pela Câmara dos Deputados. O partido elegeu apenas uma representante, Manu Pedroso. Havia expectativa de que a legenda pudesse alcançar um resultado mais robusto, o que não aconteceu.
E, voltando a Ricardo, há um fantasma que, querendo ou não, ronda Casagrande: o de 2014.
Naquele ano, o socialista disputou a reeleição ao governo do Espírito Santo e acabou derrotado por Paulo Hartung. Agora, 12 anos depois, Casagrande não está pessoalmente na disputa pelo Palácio Anchieta, mas quem está é o sucessor em quem depositou todas as suas fichas.
Há, portanto, muito mais em jogo para Casagrande do que uma simples eleição de aliado. Está em disputa a continuidade de um projeto político construído ao longo de anos e que ele próprio ajudou a consolidar. A cadeira no Senado já está garantida. O que Casagrande tenta preservar agora é a influência de seu grupo sobre o comando do Executivo estadual. E, para isso, resolveu entrar de corpo e alma numa disputa que, formalmente, já não é mais sua.










