O clima do segundo turno das eleições voltou a esquentar o plenário da Câmara Municipal da Serra. O vereador Marlon Fred Oliveira Matos (PDT), conhecido como Fred, usou o tribuna para fazer acusações diretas de roubo de dinheiro público e prática de rachadinha contra integrantes da família Bolsonaro. O discurso, no entanto, ocorre em meio aos desdobramentos de sua própria condenação criminal na Justiça do Espírito Santo.
Em tom agressivo, o parlamentar afirmou não ter receio de impactos eleitorais por suas declarações e declarou apoio irrestrito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Acusações contra a família Bolsonaro e apoio a Lula
Durante sua fala, o vereador direcionou os ataques principalmente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citando o esquema de desvio de salários de assessores conhecido como rachadinha.
“Porque o Brasil não é obrigado a aguentar um cara que rouba desde os 20 anos de idade dinheiro público. Ele já fazia rachadinha com os assessores dele”, declarou Fred na tribuna da Câmara da Serra.
Além das críticas aos opositores, o parlamentar defendeu a permanência de Lula no Palácio do Planalto por mais tempo. “E é Lula. Vocês vão ter que engolir mais quatro anos aí do velhinho”, completou. Fred relatou ainda que atuou diretamente na campanha presidencial pedindo votos e adesivando veículos em portas de seções eleitorais.
A condenação criminal de Marlon Fred
Enquanto ataca adversários, o vereador da Serra enfrenta as consequências diretas de uma decisão judicial. Fred cumpre sentença de três anos e oito meses de detenção, em regime aberto, pelos crimes de:
Invasão de domicílio
Agressão física ao companheiro de sua ex-namorada
Desacato e desacordo com policiais militares durante a abordagem no local
A prisão do parlamentar ocorreu em 15 de dezembro de 2025. Segundo a sentença proferida pelo juiz Gustavo Grillo Ferreira, a conduta de Fred demonstrou “absoluta incompatibilidade ética e moral com o exercício do cargo público”, destacando que o vereador tentou usar o cargo para intimidar os PMs que atenderam a ocorrência.
Perda do mandato e retorno à Câmara
Após obter liberdade provisória, Fred deixou o sistema prisional em 12 de maio de 2026 e retomou as atividades legislativas na Câmara da Serra em 18 de maio, após cerca de cinco meses afastado.
A decisão de primeira instância determinou a perda do mandato parlamentar, procedimento que depende dos desdobramentos na Justiça Eleitoral. A defesa do vereador informou que recorre da condenação. O caso expõe o forte contraste entre o discurso de integridade cobrado pelo vereador e sua atual situação jurídica.











