Progressistas avalia que ação da Federal contra Daniel Santana é “prejuízo ao equilíbrio eleitoral”

A dois dias da votação, a operação da Polícia Federal que deteve o candidato a deputado estadual e ex-prefeito de São Mateus, Daniel Santana, provocou uma forte reação da direção do seu partido, o Progressistas (PP). Em nota oficial divulgada nesta sábado (3), a sigla criticou o momento da ação policial e defendeu que o processo eleitoral precisa ser protegido de interferências que possam comprometer a igualdade da disputa.

Progressistas avalia que ação da Federal contra Daniel Santana é "prejuízo ao equilíbrio eleitoral"
Foto: Divulgação

Durante a Operação Espectro, Santana foi detido por desacato durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral no seu comitê de campanha, no bairro Boa Vista, em São Mateus. No local, a PF apreendeu grande quantidade de dinheiro em espécie – o valor não foi divulgado, mas à ES Hoje uma fonte falou em R$ 500 mil – além de celulares, computadores e documentos.

Ao todo, cinco pessoas foram presas em flagrante na ação, que apura um esquema de caixa dois, lavagem de dinheiro e associação criminosa com recursos de origem empresarial.

Partido alega interferência na campanha

Em posicionamento oficial, o Progressistas sustentou que uma operação policial deflagrada na reta final do pleito ultrapassa o impacto pessoal sobre o investigado.

“Quando uma investigação e uma operação envolve um candidato e ocorre a apenas dois dias da eleição, seus efeitos ultrapassam a esfera individual e alcançam o próprio equilíbrio da disputa eleitoral, especialmente quando a medida interfere diretamente no exercício da campanha”, pontuou o partido em nota.

O PP ressaltou que respeita as instituições e que a existência de uma investigação “não equivale a culpa”, defendendo que o eleitor possa formar opinião com base em fatos já comprovados, e não em apurações em andamento.

A legenda informou ainda que a sua equipe jurídica acompanha o caso e cobrou garantias para a continuidade da candidatura de Daniel Santana:

“O Progressistas, por meio do setor jurídico, está acompanhando a legalidade dos atos, e confia que a Justiça Eleitoral adotará as medidas necessárias para garantir que o candidato Daniel Santana possa concluir sua campanha em condições de igualdade e sem novas interferências.”

Dinheiro escondido até em praça pública

A Operação Espectro teve origem em relatórios de inteligência financeira que rastrearam movimentações expressivas em espécie. Segundo a Polícia Federal, há indícios de que recursos de empresários abasteciam a campanha de forma paralela, sem o devido registro na prestação de contas oficial da Justiça Eleitoral.

Além da apreensão de meio milhão de reais dentro do comitê, agentes federais realizaram varreduras em uma praça vizinha ao imóvel após receberem denúncias de que parte do dinheiro estaria escondida na área externa.

Todo o material apreendido — incluindo equipamentos eletrônicos e notas em dinheiro — passará por perícia técnica. A PF informou que as investigações prosseguem para determinar a origem exata do montante e individualizar as responsabilidades de cada um dos investigados.

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