Uma análise matemática do mapa eleitoral brasileiro indica uma transformação significativa no comportamento das disputas estaduais para 2026. Segundo levantamento publicado pela revista Veja no último domingo (23), 57,6% do eleitorado do país reside em unidades da Federação onde a corrida para o Poder Executivo local apresenta chances reais de liquidação ainda na primeira votação. Trata-se de um salto expressivo em relação ao pleito de 2022, quando apenas 33,9% dos votantes viveram esse cenário. O Espírito Santo integra esse grupo de estados, ao lado de praças como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Ceará.
No cenário capixaba, os números do Instituto Perfil encomendados pelo portal ES Hoje traduzem a movimentação das peças no tabuleiro local. Na pesquisa estimulada registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) sob o nº ES-07093/2026 —, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece na liderança com 29,33% das intenções de voto. O governador Ricardo Ferraço (MDB) ocupa a segunda colocação, registrando 22,33%, enquanto o deputado federal Helder Salomão (PT) pontua com 7,67%.
Juntos, os três primeiros colocados concentram 59,33% das intenções de voto apuradas no levantamento. A sondagem capturou o momento prévio ao registro formal das candidaturas e registrou a ascensão gradual do emedebista no comparativo com levantamentos anteriores, ao mesmo tempo em que confirmou a manutenção da competitividade de Pazolini na ponta.
Vale ressaltar que a pesquisa também incluiu os nomes do ex-governador Paulo Hartung (PSD) e do senador Magno Malta (PL) e não considerou os nomes de Breno Barcelos (Missão) e Rafael Demuner (UP).
A mecânica dos palanques e o desdobramento nacional
A possibilidade de definição da disputa estadual em primeiro turno impõe um cálculo pragmático sobre a eleição presidencial. Em 2022, o Espírito Santo viveu um segundo turno acirrado entre Renato Casagrande e Carlos Manato, dinâmica que manteve o eleitorado altamente mobilizado no Estado até a data final do pleito.
Se a eleição para o Governo do Estado for liquidada na primeira etapa, desenha-se um desafio logístico e de engajamento para as campanhas nacionais de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no território capixaba:
Sustentação de Helder Salomão: Caso o candidato petista chegue a uma eventual segunda etapa na disputa estadual, a candidatura de Lula assegura um palanque nativo estruturado e em plena atividade de militância no Estado.
Consolidação de Lorenzo Pazolini: Uma vitória ou ida de Pazolini ao segundo turno garante a Flávio Bolsonaro um alinhamento direto com a estrutura de campanha do grupo conservador no Espírito Santo.
Cenário com Ricardo Ferraço: Uma reeleição do emedebista ou a definição do pleito no primeiro turno coloca o eleitorado capixaba diante da necessidade de retorno às urnas exclusivamente para o cargo de presidente. Nesse contexto, a ausência de disputa local tende a desmobilizar cabos eleitorais e lideranças regionais, exigindo das campanhas nacionais um esforço direto para mitigar a abstenção no segundo turno.
A convergência entre os dados locais do Perfil/ES Hoje e a projeção nacional da Veja evidencia que a aceleração das definições estaduais alterou o peso relativo das alianças regionais, impondo aos estrategistas de todos os lados a readequação das forças de campo antes da abertura das urnas.










