Chegou ao fim o prazo para registro de candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e cinco candidatos se inscreveram para disputar o Governo do Estado. Breno Barcelos (Missão), Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Rafael Demuner (UP) e Ricardo Ferraço (MDB) apresentaram seus pedidos à Justiça Eleitoral e aparecem com status de “concorrendo”.
O prazo para que partidos e federações apresentassem os pedidos terminou neste sábado (15). O registro, no entanto, não significa que todas as candidaturas já estejam definitivamente deferidas. Os pedidos passam pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica se candidatos e candidatas atendem às condições exigidas pela legislação.
A lista capixaba reúne perfis bastante diferentes. Há candidatos sem experiência em grandes cargos eletivos, um deputado federal que começou a vida política nos anos 1990, um ex-delegado que chegou rapidamente à Prefeitura da Capital e um governador com mais de quatro décadas de trajetória pública.
Conheça quem são os cinco nomes que querem ocupar o Palácio Anchieta pelos próximos quatro anos.
Breno Barcelos: a estreia do Missão
Breno Augusto Fagundes Barcelos, de 41 anos, é engenheiro civil e disputa o Governo pelo Missão, partido criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL). Ele preside a legenda no Espírito Santo e integra a coordenação estadual do movimento.
Sem mandato eletivo no currículo, Barcelos chega à corrida pelo Palácio Anchieta como um dos estreantes da eleição estadual. A candidatura também marca a primeira participação do Missão em uma disputa pelo Governo do Espírito Santo.
Politicamente, o partido procura ocupar espaço no campo da direita, com discurso liberal na economia e conservador em parte das pautas de costumes. Barcelos tem apresentado como bandeiras temas relacionados à gestão pública, infraestrutura, mobilidade e segurança.
Na urna, será o número 14.
Helder Salomão: do Legislativo municipal ao Congresso
Helder Ignácio Salomão (PT) representa a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Professor de Filosofia, ele possui uma das trajetórias eleitorais mais longas entre os cinco concorrentes.
Sua carreira política começou em Cariacica, onde foi vereador e, posteriormente, prefeito por dois mandatos. Helder também passou pela Assembleia Legislativa, pelo Governo do Estado como secretário e chegou à Câmara dos Deputados em 2015.
Atualmente deputado federal, construiu sua trajetória política no PT e chega à disputa como o principal nome do campo da esquerda ligado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Espírito Santo.
A experiência no Executivo municipal é uma das diferenças em relação aos demais candidatos da esquerda na disputa: Helder já administrou Cariacica, segundo município mais populoso do Estado.
Na urna, será o número 13.
Lorenzo Pazolini: ascensão política em menos de uma década
Lorenzo Silva de Pazolini (Republicanos) fez o caminho mais rápido entre a estreia nas urnas e uma candidatura ao Governo entre os principais concorrentes.
Formado em Direito, Pazolini foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado e delegado da Polícia Civil antes de ingressar na política. Sua atuação como delegado, especialmente na área de proteção à criança e ao adolescente, tornou-se uma das marcas de sua imagem pública.
A primeira eleição ocorreu em 2018, quando conquistou uma cadeira de deputado estadual. Apenas dois anos depois, concorreu à Prefeitura de Vitória e venceu João Coser (PT) no segundo turno.
Em 2024, foi reeleito prefeito da Capital no primeiro turno. Neste ano, deixou o comando de Vitória para disputar o Palácio Anchieta.
Em poucos anos, portanto, Pazolini passou pela Assembleia Legislativa, comandou a principal prefeitura do Estado e chegou à corrida pelo Governo. Sua candidatura representa hoje um dos principais polos de oposição ao grupo político que ocupa o Palácio Anchieta.
Na urna, será o número 10.
Rafael Demuner: servidor da Ufes e candidato da UP
Rafael Ketley Demuner, de 35 anos, é o candidato da Unidade Popular (UP) e outro nome da disputa sem mandato eletivo.
Servidor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Demuner foi confirmado pela legenda em convenção realizada no início de agosto. Dionary Sarmento compõe a chapa como candidata a vice-governadora.
A UP se posiciona no campo da esquerda e tem sua atuação ligada a movimentos populares. Com isso, Demuner oferece ao eleitor uma candidatura situada mais à esquerda do que a representada por Helder Salomão e pela Federação Brasil da Esperança.
A candidatura também amplia o contraste de experiências na eleição: enquanto adversários acumulam passagens por prefeituras, Assembleia, Congresso e Governo do Estado, Demuner entra na corrida sem ter ocupado cargo eletivo.
Na urna, será o número 80.
Ricardo Ferraço: do primeiro mandato nos anos 1980 ao Governo
Se Breno Barcelos e Rafael Demuner representam a renovação de nomes na disputa, Ricardo de Rezende Ferraço (MDB) está no extremo oposto quando o critério é tempo de vida pública.
Atual governador, Ferraço acumula mais de quatro décadas de trajetória política. Começou como vereador de Cachoeiro de Itapemirim, entre 1983 e 1988, e depois foi deputado estadual por dois mandatos, chegando à presidência da Assembleia Legislativa.
Também foi secretário estadual, deputado federal, vice-governador e senador pelo Espírito Santo. Entre 2019 e 2022, ficou fora de cargos públicos e atuou na iniciativa privada.
Ferraço voltou ao Executivo estadual como vice-governador na eleição de 2022. Em 2 de abril deste ano, assumiu definitivamente o Governo após a renúncia de Renato Casagrande, que deixou o cargo para se habilitar à disputa eleitoral.
Dos cinco candidatos, portanto, é o único que já entra na campanha ocupando o cargo que pretende conquistar nas urnas. Sua candidatura representa a continuidade do grupo político que governa o Espírito Santo nos últimos anos.
Na urna, será o número 15.
Cinco trajetórias, uma cadeira
A eleição coloca lado a lado experiências políticas que vão de nenhuma passagem por cargos eletivos a mais de 40 anos de vida pública.
Breno Barcelos e Rafael Demuner chegam sem mandatos anteriores; Lorenzo Pazolini transformou uma carreira eleitoral iniciada em 2018 em uma candidatura ao Governo apenas oito anos depois; Helder Salomão acumula experiências nos Legislativos municipal, estadual e federal e no Executivo de Cariacica; e Ricardo Ferraço já passou por praticamente todas as principais esferas da política capixaba.
Agora, com o encerramento dos registros, os cinco entram na corrida por uma única cadeira: a de governador do Espírito Santo.










