A Justiça Eleitoral do Espírito Santo recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra cinco pessoas que, supostamente, coagiram presos durante o primeiro turno das eleições de 2022 na Serra, na Grande Vitória, com o objetivo de beneficiar candidatos específicos no pleito. As investigações indicam que a organização criminosa armada teria constrangido detentos mediante a criação de ambiente de temor de represálias e perda de benefícios, como banho de sol e visitas.
De acordo com o MPE, a acusação foi ajuizada no último dia 13 pela Promotoria Eleitoral da Serra, após o recebimento do relatório final do inquérito encaminhado pela Polícia Federal (PF), que ouviu previamente todos os denunciados. Conforme a investigação da PF, a logística do suposto crime teria começado com o já falecido Sóstenes Araújo, então diretor da Escola Penitenciária do Centro de Detenção Provisória da Serra. Ele teria se comunicado com Silayr Pedra Ribeiro, assessor do então candidato a deputado federal Josias da Vitória (PP), para combinar votos no parlamentar.
Ainda segundo a apuração, a diretora da prisão à época, Chelsea Genevieve de Oliveira Moraes Fernandes, teria sido responsável por escolher a equipe incumbida de conduzir os internos eleitores da cela ao local de votação. O diretor adjunto Pablo do Nascimento Estevão teria sido selecionado para cuidar da segurança. Conforme a denúncia, a escolha do nome dele “revela a finalidade de conferir maior controle sobre a operação e reduzir a possibilidade de resistência ou fiscalização interna”.
O MPE aponta ainda que a policial penal Flávia dos Santos Silva Sobrinho e a colaboradora Déborah Alves dos Santos também teriam sido cooptadas para a organização. Déborah, segundo a acusação, teria confeccionado e encaminhado “colinhas” eleitorais com os números dos candidatos apoiados pelo grupo.
Além de Josias da Vitória, a investigação afirma que a organização buscava eleger Alexandre Quintino Moreira (PDT) para o cargo de deputado estadual. Da Vitória foi reeleito, enquanto Quintino não conquistou vaga na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Para o cargo de governador, constava na cola o número de urna de Renato Casagrande (PSB).
Os candidatos não foram denunciados. Segundo o MPE, não foram encontrados indícios de participação deles no planejamento ou na execução das condutas investigadas. Segundo a denúncia, no dia 2 de outubro de 2022, data do primeiro turno, Pablo do Nascimento Estevão era o responsável por movimentar os internos eleitores até o local de votação instalado dentro da penitenciária. No trajeto até a seção eleitoral, ele teria repassado orientações aos presos, conforme sustenta o Ministério Público Eleitoral.









