A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados foi palco de tensão durante audiência com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Convidada para prestar esclarecimentos sobre as queimadas e o desmatamento no país, a ministra foi duramente criticada pelo deputado federal capixaba Evair Vieira de Melo (PP), que reacendeu um antigo confronto verbal ao utilizar novamente o termo “adestrada” em referência à gestora ambiental.
A expressão já havia sido proferida pelo parlamentar em outubro de 2024, durante uma sessão presidida por ele na mesma comissão. Na ocasião, Marina Silva reagiu com firmeza, pedindo respeito.
“Tenha santa paciência. O senhor não vai me dizer que sou uma pessoa adestrada”, respondeu a ministra na época. Agora, ao retomar o termo, Evair afirmou que “adestramento é repetição que busca resultado” e negou que a fala tenha sido ofensiva.
Além do episódio de linguagem, Evair também questionou a trajetória da ministra, alegando que ela “nunca trabalhou e nunca produziu” no setor agropecuário, acusando-a de manter um discurso alinhado a organizações não governamentais internacionais. As declarações provocaram reações imediatas na sala e ampliaram o clima de desconforto entre os parlamentares presentes.
Marina rebateu os ataques classificando-os como injustos e reiterou sua postura diante das críticas. Em tom reflexivo, citou passagens bíblicas e afirmou que prefere “sofrer injustiças a praticá-las”.
A audiência, que tinha como foco principal o combate ao desmatamento, acabou marcada por embates pessoais e expôs a polarização crescente entre representantes do agronegócio e defensores de pautas ambientais no Congresso Nacional.










