Anúncios e estrutura montada: como suspeito aplicava “golpe do terreno” em Vila Velha

A Polícia Civil detalhou nesta terça-feira (21) a prisão de um homem de 40 anos, identificado como Vinícius Pires da Silva Allazio, ocorrida no último dia 9 de julho, na Barra do Jucu, em Vila Velha, suspeito de estelionato. De acordo com as investigações, o homem, que se dizia empresário, aplicava golpes na venda de terrenos e também era responsável por um esquema envolvendo uma empresa de energia solar.

De acordo com as investigações, Vinícius anunciava lotes que não lhe pertenciam e montava uma estrutura para dar aparência de que as negociações eram legítimas. A polícia afirma que ele ocupava terrenos sem autorização, instalava contêineres para atender clientes e utilizava documentos falsos em nome de uma empresa para transmitir confiança aos compradores.

Além disso, o suspeito contava com a ajuda de outras pessoas para divulgar os empreendimentos e convencer as vítimas de que a venda era regular.

“Ele estava vendendo sonhos que não iriam se realizar”, resumiu o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro.

Cheque de R$ 100 mil foi encontrado com suspeito

Vinícius foi abordado enquanto negociava um dos terrenos vendidos de forma irregular. Durante a abordagem, os policiais encontraram com ele um cheque de R$ 100 mil, que, segundo a investigação, havia sido entregue por uma vítima um dia antes da prisão como parte da compra de dois terrenos. A polícia afirma que os imóveis negociados não pertenciam ao suspeito.

Também foram apreendidos documentos usados nas negociações, que agora fazem parte da investigação.

Segundo a Polícia Civil, o esquema era elaborado e envolvia corretores, empresas do ramo da construção civil e vigilantes para reforçar a falsa impressão de que os empreendimentos eram legais.

Anúncios e estrutura montada: como suspeito aplicava "golpe do terreno" em Vila Velha
Foto: Divulgação PCES

Investigação também apura golpes com empresa de energia solar

Além das suspeitas envolvendo a venda de terrenos, Vinícius já era alvo de outra investigação por supostos golpes aplicados por meio de uma empresa de energia solar.

De acordo com a Polícia Civil, a empresa funcionou normalmente por um período. Porém, após enfrentar dificuldades financeiras no fim de 2024, o empresário teria continuado fechando contratos e recebendo pagamentos mesmo sem condições de entregar os equipamentos ou realizar as instalações.

As vítimas relataram que pagavam pelas placas solares, aguardavam a instalação por meses e, depois de sucessivas tentativas de contato, deixavam de receber respostas.

A investigação aponta que o esquema teria causado um prejuízo superior a R$ 500 mil a clientes em diferentes cidades do Espírito Santo.

Polícia orienta compradores

A Polícia Civil orienta que quem pretende comprar um terreno ou imóvel verifique sempre a matrícula atualizada no cartório, a documentação da propriedade e a situação do imóvel junto à prefeitura antes de fechar qualquer negócio.

Segundo os investigadores, esses cuidados ajudam a confirmar quem é o verdadeiro proprietário e evitam problemas como disputas judiciais ou vendas feitas por pessoas sem qualquer direito sobre o imóvel.

A polícia também pede que pessoas que reconheçam o suspeito ou acreditem ter sido vítimas de situações semelhantes entrem em contato pelo telefone 181, de forma anônima. As informações podem ajudar a identificar outras vítimas e possíveis envolvidos no esquema.

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