Mesmo preso, líder do TCP é investigado por manter comando de grupo criminoso no ES

Uma organização criminosa ligada à facção Terceiro Comando Puro (PCP), que atua em Flexal II, em Cariacica, é alvo da Operação Imperium após investigações apontarem que Adair Fernandes da Silva, o “Dadá”, continuava comandando as ações do grupo mesmo preso. Segundo a apuração, o suspeito utilizava terceiros para ocultar bens e manter a estrutura financeira e operacional da organização. A operação resultou na prisão de integrantes apontados como responsáveis pela atuação nas ruas, além da apreensão de drogas, armas e munições.

De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), a operação foi realizada pelo Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) e pelo Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc). Ao todo, seis pessoas foram presas, sendo quatro em cumprimento de mandados de prisão e duas em flagrante. As ações aconteceram na manhã desta terça-feira (7), com buscas realizadas nos municípios de Cariacica, Serra, Vitória, Viana, Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina.

O delegado-geral da PCES, Jordano Bruno, destacou que a ação contou com mais de 120 policiais civis e penais, responsáveis pelo cumprimento de 38 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão. A operação também teve apoio de equipes especializadas e recursos tecnológicos, como drones, utilizados no planejamento e execução das diligências.

“Essa resposta foi fundamental para tirar de circulação as principais lideranças e integrantes de uma organização criminosa que atuava em Flexal, onde ocorreram os assassinatos. É uma ação importante para a população, porque conseguimos desarticular uma quadrilha que impunha medo e colocava terror na comunidade local”, afirmou.

Mesmo preso, líder do TCP é investigado por manter comando de grupo criminoso no ES
Investigação aponta que líder de facção mantinha estrutura criminosa mesmo preso no ES.

Monitoramento por tornozeleira levou a prisões

O diretor de Operações (DIOP) da Polícia Penal do Espírito Santo (PPES), Weleson Vieira de Souza, explicou que o setor de inteligência acompanhava os alvos antes da operação, já que três suspeitos cumpriam medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.

“Desde o início, a Polícia Penal atuou com o setor de inteligência. Os três alvos estavam cumprindo medidas cautelares com tornozeleira eletrônica e, durante a operação, identificamos que dois deles não estavam nos locais onde deveriam estar. Como o monitoramento é feito em tempo real, conseguimos localizar e prender os dois”, afirmou.

Segundo o diretor, um dos alvos foi encontrado no bairro Flexal, em Cariacica. O suspeito, identificado como Emerson, conhecido pelo apelido de “Boi”, estaria monitorando o tráfico de drogas na região.

“Ele estava com um rádio comunicador, fazendo o monitoramento do tráfico local. Quando percebeu a chegada das equipes, conseguiu quebrar o aparelho e jogar no mangue, por isso não foi possível apreender o telefone. Mas as equipes conseguiram chegar à residência dele e realizaram a prisão”, explicou.

Investigação aponta comando de dentro do presídio

O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Luiz Gustavo Ximenes, afirmou que a operação também identificou a atuação financeira e operacional da organização criminosa comandada por Adair Fernandes da Silva, o “Dadá”, apontado como líder do grupo que atua em Flexal II.

Segundo o delegado, Dadá utilizava terceiros para ocultar bens e dificultar o trabalho das investigações. “Ele colocava laranjas para conseguir manter sítios em nomes de outras pessoas e chegou a afastar Jocélia da região de Flexal para tentar burlar a investigação”, explicou.

Durante a operação, equipes cumpriram mandados em três propriedades diferentes. Em uma delas, em Santa Leopoldina, o enteado de Dadá foi localizado com um carregador de pistola calibre .40. Em outro ponto, um suspeito foi encontrado com uma espingarda e cerca de 300 munições. Também foram apreendidas armas e munições em outros locais.

O delegado informou ainda que a prisão de Dadá pode ser transferida para a Justiça Federal, após a análise dos elementos reunidos no inquérito.

“Foi feita uma representação específica ao juízo com os elementos informativos do inquérito que apontam que Dadá continua comandando a organização de dentro do presídio. A avaliação será feita pelo juízo da execução penal para verificar se esses elementos são suficientes para o encaminhamento dele à Justiça Federal. Vamos apresentar que existem elementos concretos de que ele mantém o comando mesmo estando preso”, afirmou.

Sobre a investigação relacionada a uma chacina, Ximenes informou que o caso segue sob sigilo e está em fase final de apuração.

“Temos elementos levantados pelo DHPP de Cariacica. O inquérito está sob sigilo e em fase final. Neste momento, ainda não há informação se houve uma ordem direta dele para a família ou não”, disse.

O delegado destacou que os presos durante a operação são apontados como integrantes da estrutura operacional da organização criminosa que atua em Flexal II.

“Os principais integrantes operacionais foram presos. Eles atuavam junto com a esposa de Dadá e faziam parte da organização criminosa que atua em Flexal II, inclusive realizando o monitoramento para o cumprimento dos mandados de prisão”, explicou.

Mesmo preso, líder do TCP é investigado por manter comando de grupo criminoso no ES
Operação mira líder do PCP suspeito de comandar grupo criminoso de dentro do presídio.

Advogado é investigado por intermediar ordens para facção

Ainda segundo Ximenes, um advogado também é investigado por supostamente intermediar ordens entre Dadá e integrantes da facção Terceiro Comando Puro.

“O advogado levava recados de Dadá para a facção, ajudando na organização das ações. Por isso, também foi cumprido mandado de busca contra ele”, afirmou.

Uso de drones auxiliou na operação

O superintendente de Polícia Especializada (SPE), delegado Rafael Correa, destacou o uso de recursos tecnológicos durante a operação, incluindo ferramentas de inteligência e drones, que auxiliaram no planejamento e na execução das ações.

“A Polícia Civil utilizou uma grande quantidade de recursos de tecnologia da informação e drones, que aperfeiçoaram as atividades realizadas. Esses equipamentos trouxeram mais segurança para os policiais que estavam em campo, além de permitir o monitoramento dos locais onde seriam feitas as entradas. A tecnologia também ajuda a acompanhar a movimentação dos alvos e dificulta possíveis tentativas de fuga dos investigados”, explicou.

Suspeitos já haviam sido presos na Operação Apolo

O chefe do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc), delegado Ricardo Almeida, explicou que três dos presos já eram investigados pela Polícia Civil por envolvimento com atividades criminosas. Eles haviam sido presos em 2024 durante a Operação Apolo.

Segundo o delegado, após a prisão, os suspeitos passaram a cumprir medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, de acordo com a investigação, eles teriam continuado envolvidos em práticas criminosas.

Durante a nova operação, os suspeitos foram recapturados. Uma das prisões ocorreu em Santa Leopoldina, onde também foi localizada a companheira de um dos investigados.

Você por dentro

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Escolha onde deseja receber nossas notícias em primeira mão e fique por dentro de tudo que está acontecendo!

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais Lidas

Notícias Relacionadas