Um homem de 56 anos, identificado como Adalberto Pussiarelli da Silva, investigado por integrar um grupo que aplicava golpes contra clínicas médicas e profissionais da saúde no Espírito Santo e em vários estados, foi preso nesta quarta-feira (1º) em um condomínio de luxo em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.
A prisão foi realizada por policiais da Delegacia de Investigações Criminais (Deic) de Venda Nova do Imigrante, com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, o suspeito usava ligações telefônicas para criar situações de pânico e obrigar médicos e enfermeiros a fazer transferências via Pix.
Como funcionava o golpe
De acordo com a Polícia Civil, o primeiro caso investigado foi registrado em 10 de fevereiro deste ano. Na ocasião, uma médica de uma clínica recebeu uma ligação em que o criminoso afirmavam que invadiria o local e mataria todos os funcionários caso não recebesse dinheiro.
Em outras ligações, o suspeito perguntavam se havia médicos de plantão e dizia que colegas dele haviam trocado tiros com a polícia. Ele afirmava que tinha comparsas feridos e que pretendia levá-los até a clínica para atendimento. Quando os profissionais orientavam que os supostos feridos fossem encaminhados a um hospital, o criminoso mudava o discurso. Segundo a polícia, ele dizia que não levaria mais os feridos ao local, mas exigia que a clínica pagasse o transporte. Ao mesmo tempo, ameaçava invadir o estabelecimento caso o dinheiro não fosse enviado imediatamente por Pix.
Em alguns casos, também afirmava que um integrante do grupo iria até a clínica para buscar determinada quantia em dinheiro. Tudo fazia parte da encenação criada para convencer as vítimas.
A polícia informou que nenhuma dessas histórias era verdadeira. O objetivo era apenas provocar medo para que os profissionais realizassem as transferências.
Vítimas em vários estados
As investigações apontam que o grupo aplicava os golpes contra médicos e enfermeiros de clínicas públicas e particulares. Até o momento, três vítimas foram identificadas no Espírito Santo, mas a suspeita é de que o número seja bem maior, já que as ligações eram feitas para diferentes estados do país.
Segundo a polícia, o homem preso utilizava diversas linhas telefônicas com códigos de área (DDD) diferentes para dificultar a identificação. Durante a investigação, os policiais descobriram que todos esses números estavam registrados em nome de Adalberto.
Prisão
O suspeito foi localizado em um condomínio de luxo em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, após um trabalho de investigação e troca de informações entre as polícias dos dois estados.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, Adalberto é natural do Rio de Janeiro e possui uma extensa ficha criminal, com registros por crimes como roubo, latrocínio e homicídio.
“É um criminoso contumaz, desde 1994 há registros dele cometendo crimes no Rio de Janeiro, e que evoluiu agora para um crime ‘home-office’, ele praticava da residência dele, num condomínio de luxo, sem risco, sem sair de casa, usando o celular e informações que ele obtinha na internet e tirava dinheiro das vítimas mediante a muita ameaça”, explicou o superintendente de Polícia Regional Serrana, delegado Alberto Roque.
A polícia acredita que ele não agia sozinho. As investigações continuam para identificar e localizar os demais integrantes do grupo criminoso. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 181. Não é preciso se identificar.










