A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) prendeu um homem de 23 anos investigado por ordenar um chamado “tribunal do crime” contra uma mulher de 36 anos em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado. A vítima foi torturada no dia 29 de abril deste ano, no bairro Bela Vista, após ser suspeita por integrantes do tráfico de colaborar com as forças de segurança.
A prisão foi realizada no último dia 2 de junho por equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cachoeiro de Itapemirim e do Centro de Inteligência e Análise Telemática do Sul (Ciat Sul), com apoio da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc).
Durante a mesma operação, os policiais localizaram e prenderam um homem que estava foragido da Justiça há cerca de dois anos por homicídio.
Mulher foi espancada dentro de casa
Segundo as investigações, a vítima foi abordada em via pública por três suspeitos: dois homens, de 23 e 24 anos, e um adolescente de 15 anos.
Sob ameaças, o grupo exigiu acesso ao celular da mulher para verificar possíveis conversas com policiais militares. Em seguida, ela foi levada para dentro da própria residência, onde sofreu uma série de agressões físicas.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima foi espancada com pedaços de madeira e uma barra de ferro, sofrendo graves lesões, incluindo fraturas nos braços e nas pernas.
O adolescente envolvido no crime também teria participado ativamente das agressões e registrado a violência em vídeo.
Além das agressões, os criminosos roubaram o aparelho celular da vítima.
Crime teria sido ordenado por liderança do tráfico
Conforme explicou o delegado titular da DHPP de Cachoeiro de Itapemirim, Felipe Vivas, as investigações apontaram que o ataque foi determinado por um homem apontado como liderança do tráfico de drogas na região.
Segundo a apuração, os criminosos acreditavam que a vítima estaria repassando informações às forças policiais e a responsabilizavam por uma operação que resultou na apreensão de drogas e cerca de R$ 35 mil em dinheiro.
“A apuração revelou que o crime teria sido determinado por um indivíduo apontado como liderança do tráfico de drogas na região. Segundo as investigações, os criminosos suspeitavam que a vítima estivesse repassando informações às forças policiais”, destacou o delegado.
Investigados respondem por tortura e roubo
Após a conclusão do inquérito, três investigados foram indiciados pelos crimes de tortura qualificada em razão das lesões graves causadas à vítima, roubo majorado mediante violência e uso de armas impróprias, além de corrupção de menores pela participação do adolescente na ação criminosa.
A Polícia Civil concluiu que os autores não tinham a intenção de matar a vítima, mas sim submetê-la a intenso sofrimento físico e psicológico como forma de punição e intimidação, caracterizando o crime de tortura.
Dois suspeitos permanecem presos preventivamente após terem sido capturados em flagrante. Já o apontado mandante foi preso no dia 2 de junho.
Polícia reforça combate ao “tribunal do crime”
A Polícia Civil destacou que o enfrentamento às organizações criminosas e às práticas conhecidas como “tribunal do crime” continua sendo uma das prioridades da instituição.
O delegado Felipe Vivas também ressaltou a importância das denúncias anônimas para auxiliar nas investigações e no combate ao crime organizado.









