Um homem de 36 anos é investigado pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) por planejar a morte do próprio filho para evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. Segundo as investigações, ele estaria disposto a pagar R$ 50 mil a um pistoleiro para executar a criança.
De acordo com a Polícia Civil, o crime só não teria sido consumado porque o homem procurado para realizar a execução se recusou a matar o menino. A informação consta em uma anotação encontrada durante a investigação conduzida pela corporação.
Além do plano para assassinar o filho, os investigadores encontraram outros registros atribuídos ao suspeito que revelam pensamentos violentos. Conforme a PCES, as anotações indicam que ele também cogitava matar policiais e traficantes da região onde mora, com o objetivo de ser morto posteriormente em confronto ou por vingança.
Do plano contra o filho ao desejo de morrer
O suspeito foi preso após informações compartilhadas pelo MJSP — Ministério da Justiça e Segurança Pública — e por autoridades norte-americanas, entre elas o FBI, indicarem risco concreto à integridade da vítima. A ação ocorreu em cumprimento a mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão na localidade de Farturinha, zona rural de São Gabriel da Palha.
Segundo a PCES, o suspeito usava uma plataforma de Inteligência Artificial para descrever e organizar supostos planos criminosos. Nas mensagens, ele relatava a intenção de contratar um pistoleiro para matar o próprio filho, numa tentativa de evitar o pagamento de pensão alimentícia à ex-companheira. Os registros revelam ainda que o investigado mencionava possíveis ataques contra escolas, igrejas e autoridades públicas, ampliando a gravidade das ameaças identificadas pelos investigadores.
Nas anotações registradas na plataforma de Inteligência Artificial, o homem descreveu de forma fria um suposto plano para matar o próprio filho e relatou que a ideia não teria sido levada adiante porque o pistoleiro procurado para executar o crime se recusou a aceitar o serviço por se tratar de uma criança.


Alerta internacional acendeu sinal de perigo
O chefe da Divisão de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, ressaltou que a cooperação internacional tem papel fundamental no enfrentamento de crimes cometidos no ambiente digital.
“A empresa responsável pela plataforma encaminhou ao FBI informações de que o indivíduo realizava pesquisas constantes relacionadas à intenção de matar o próprio filho. O FBI, por sua vez, compartilhou esses dados com o CyberLab do Ministério da Justiça, que repassou o caso à Polícia Civil. Há oito anos trabalhamos com investigações cibernéticas e essa integração entre instituições nacionais e internacionais tem sido fundamental para o sucesso de diversas operações, em função desse apoio mútuo”, explicou o delegado.
Já o delegado adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Ícaro Olímpio, reforçou que o conteúdo das conversas analisadas durante a investigação acendeu um sinal de alerta entre os investigadores e exigiu uma resposta imediata da Polícia Civil.
“Nas mensagens enviadas à Inteligência Artificial, ele relatava a intenção de contratar um pistoleiro para matar o próprio filho e dizia possuir meios para a prática de outros crimes violentos. Além disso, mencionava a possibilidade de realizar ataques contra escolas, igrejas e autoridades, afirmando que pretendia fazer o maior número possível de vítimas.”

Polícia agiu antes que ameaças saíssem do papel
Os dados compartilhados pelas autoridades permitiram que a Polícia Civil antecipasse as diligências e agisse de forma preventiva, antes da data que, segundo a investigação, teria sido apontada pelo suspeito para a execução dos crimes.
“Recebemos a denúncia no dia 16 de junho. Nas conversas analisadas, ele mencionava que os atos ocorreriam no dia 20. Diante da gravidade das informações, adotamos todas as medidas necessárias e efetuamos a prisão no dia 19, impedindo que um mal maior pudesse ocorrer”, afirmou Ícaro Olímpio.
Surpreendido pela abordagem policial ao sair para o trabalho, o investigado afirmou, durante o interrogatório, que não pretendia executar os crimes mencionados nas mensagens. No entanto, ele reconheceu ter feito pesquisas e interagido com a plataforma de Inteligência Artificial utilizada para registrar os conteúdos analisados pela investigação.

Celular apreendido pode revelar próximos passos da investigação
Segundo o delegado Brenno Andrade, as investigações seguem em andamento para verificar se os planos mencionados nas conversas saíram do campo das intenções e avançaram para alguma etapa concreta de execução.
“Ele confirmou que realizou as pesquisas, mas negou a intenção de colocar os atos em prática. Agora vamos confrontar os dados obtidos nas conversas com o conteúdo extraído do telefone celular apreendido. O objetivo é verificar se houve alguma providência efetiva para a contratação de terceiros ou para a execução dos crimes mencionados”, encerrou.
Os materiais apreendidos serão periciados e analisados durante a investigação. Ao final das diligências, a Polícia Civil decidirá sobre eventuais indiciamentos.

Por fim, o delegado Ícaro Olímpio reforçou a importância da integração entre plataformas digitais, autoridades brasileiras e organismos internacionais na identificação e prevenção de possíveis crimes.
“É importante que a população compreenda que conteúdos relacionados a atos de extrema violência recebem atenção das plataformas e das autoridades. Existe uma integração permanente entre empresas de tecnologia, órgãos governamentais e forças de segurança. A Polícia Civil está vigilante e atua para impedir que ameaças saiam do ambiente virtual e se transformem em crimes consumados”, alertou.










