Uma investigação que começou após um furto em um apartamento de alto padrão na Praia da Costa, em Vila Velha, terminou com a identificação de uma quadrilha especializada nesse tipo de crime, com atuação em todo o Brasil. O caso aconteceu em março de 2024 e deixou um prejuízo estimado em mais de R$ 700 mil para proprietária do imóvel.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo é de São Paulo e atua em vários estados do país. Até agora, quatro pessoas foram presas e um quinto integrante ainda é procurado.
Como as vítimas eram escolhidas
As investigações apontaram que a quadrilha tinha acesso a informações pessoais detalhadas em sites hospedados fora do Brasil, na chamada “dark web”. Esses dados incluíam endereço, telefone e até informações financeiras, como declarações de imposto de renda das possíveis vítimas.
Com esses dados em mãos, os suspeitos conseguiam mapear pessoas com alto poder aquisitivo, que poderiam ter joias, dinheiro e objetos de valor dentro de casa. A polícia informou que já tentou derrubar esses sites, mas não conseguiu por estarem hospedados no exterior.
Estratégia para entrar nos prédios
Para não levantar suspeitas, as mulheres do grupo se vestiam de forma elegante e se apresentavam como parentes dos moradores. Em alguns casos, também ligavam para a portaria se passando por moradores para liberar a entrada dos comparsas.
Segundo a polícia, o grupo agia rápido: ficava, em média, dois dias na cidade onde cometia os furtos. Eles alugavam carros e pagavam hospedagens em dinheiro, o que dificultava o rastreamento.

O caso na Praia da Costa
No dia do furto que deu início à investigação, duas jovens chegaram ao prédio e disseram à zeladora que eram netas da dona do apartamento. A funcionária até tentou confirmar a informação, mas, diante da insistência e das reclamações das suspeitas – e com medo de que uma briga pudesse lhe custar o emprego – acabou liberando a entrada.
A partir daí, as jovens arrombaram o imóvel e fizeram a limpa, levando objetos de valor, joias, eletrônicos e dinheiro. No momento do furto, o porteiro do prédio não estava no local. Porém, mais tarde, ao retornar, ele foi informado pela zeladora da situação e viu que as mulheres haviam saído do prédio com duas malas.

Rastreamento e identificação
Após a constatação do crime, a polícia conseguiu avançar na investigação rastreando um dispositivo eletrônico furtado, que tinha sistema de localização. Com isso, foi possível chegar até a pousada onde os suspeitos ficaram, na Serra. Imagens do sistema de monitoramento de Vila Velha também ajudaram a identificar o carro usado pelo grupo.
Quando a polícia chegou na pousada, os suspeitos já não estavam mais, mas deixaram pistas. Um dos envolvidos havia apresentado documento e uma das mulheres forneceu um número de telefone. A partir dessas informações, os investigadores chegaram a Joel da Silva Santana, apontado como responsável pela logística do grupo, e à jovem Rayssa Carneiro Arruda. Outra integrante, Maria Luyza Silva de Oliveira (filha de Joel), também foi reconhecida por funcionários da pousada.
Os três foram presos em São Paulo ainda em 2024. Durante as investigações, a polícia paulista encontrou, no celular de uma das suspeitas, fotos que confirmavam a participação deles no furto em Vila Velha e em outros crimes em estados como Paraná e Bahia.
Com base nessas imagens, também foi identificada Carolina Arraes de Lima, presa em 2025, totalizando quatro envolvidos no esquema presos.

Alerta para condomínios
A polícia reforça que o caso serve de alerta para prédios e condomínios. A orientação é simples: sempre confirmar a identidade de visitantes, pedir documentos e checar com os moradores antes de liberar a entrada.
“Aborde a pessoa, certifique-se de que é mesmo um parente. Não fique com medo de perder o emprego. É melhor evitar um crime desses e não deixar que eles entrem no condomínio e façam essa baderna toda”, destacou o chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro.









