O gerente de uma agência do Banco do Brasil, localizada na Praia do Canto, em Vitória, que tentou fugir para o Uruguai com R$ 1,5 milhão teria premeditado o roubo. O grande furto aconteceu na quinta-feira (14), um dia antes do feriado da Proclamação da República. O suspeito usaria o feriado para não levantar suspeitas e atrasar a percepção da gerência em relação ao roubo.
O casal identificado como Eduardo Barbosa de Oliveira, 43 anos, e Paloma Duarte Tolentino, 29 anos, foi preso há poucos quilômetros da fronteira. O suspeito era concursado e trabalhava no banco há 12 anos. A ação foi realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), com apoio da Polícia Federal.
Apesar da repercussão, o caso foi repassado na tarde desta quinta-feira (21). As prisões ocorreram na segunda-feira (18), em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada após audiência de custódia na terça-feira (19).

Dias antes da prisão
O chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e titular da Delegacia Especializada de Roubo a Banco (DRB), delegado Gabriel Monteiro, conta que Eduardo era concursado, tinha uma função de destaque, trabalhava no banco há 12 anos e estava acima de qualquer suspeita.
“Recebemos as primeiras informações na quinta-feira (14), por volta das 16 horas. Foi a gerente do banco que procurou a delegacia. No local, ela contou que suspeitava de um roubo cometido no banco, mas não desconfiou do colega de trabalho naquele momento”, explicou.
O delegado destaca que, após as informações iniciais, a equipe foi até o local. “Nos deslocamos imediatamente. As equipes foram para os pontos que tivemos informações. Um desses lugares, era o banco onde o crime aconteceu”, disse.
Gabriel Monteiro conta que o suspeito não tinha conduta ilícita. “Ele era concursado, tesoureiro e tinha acesso aos cofres do banco. Na ocasião, ele retirou o dinheiro do banco sozinho, um total de R$1,5 milhão”, ressaltou.
Segundo o delegado, primeiro Eduardo pegou R$ 74 mil e passou para a atual companheira – que também está presa. O dinheiro seria para comprar o carro.
Casal fingiu não se conhecer em agência de banco
Segundo a Polícia Civil (PCES), o casal Eduardo e Paloma fingiram não se conhecer para comprar um carro com o dinheiro. Paloma foi a uma concessionária, localizada em Bento Ferreira, Vitória, e tentou comprar um Jeep Renegade com dinheiro em espécie.
A polícia destacou ainda que o vendedor teria dito que a loja não aceitava pagamento em espécie. Foi então que Paloma disse que “possuía dinheiro empenhado” na agência do Banco do Brasil, localizada no bairro Praia do Canto, na capital.
Roubo premeditado
O delegado acredita que o furto foi premeditado e que o feriado seria um dia a menos que o gerente teria que comparecer na agência.
“Por imagens descobrimos que o furto aconteceu na quinta-feira (14). Assim, ele teria quatro dias para se deslocar. Continuamos com as buscas e identificamos que na mesma data a atual companheira foi ao banco e realizou um depósito de R$ 74 mil para compra de veículo”, destacou Monteiro.
Foi por meio da placa do carro que os policiais localizaram os suspeitos. “Rapidamente fomos ao local e descobrimos a placa. A partir disso, fizemos contato com Polícia Federal, em menos de 3 horas eles foram presos”, revelou o delegado.
Suspeitos realizaram mudança no sábado
Ainda de acordo com o delegado, a equipe policial foi até a residência do casal e lá receberam a informação de vizinhos de que eles haviam se mudado no sábado (16).
“Foi uma mudança completa, já tinham levado até os cachorrinhos. Isso mostra a nítida intenção de fugir. Com essas provas, vimos que eles iriam para outro país”, afirmou.
Gabriel Monteiro relata que Eduardo estava acima de suspeita, mas a falta injustificada ao trabalho na segunda-feira (18) chamou a atenção. “Na segunda ele faltou ao trabalho e, até aquele momento, a gerente não desconfiava dele. Mas depois disso ela se recordou que já na sexta ele estava incomunicável com a equipe do trabalho”, enfatizou.
Suspeito dá dinheiro a ex-esposa antes de fugir
O delegado revelou que, antes da fuga, Eduardo foi até a ex-esposa e entregou uma quantia de R$20 mil a ela, dinheiro que a polícia acredita ser parte do roubo. “Esse dinheiro seria de um acordo de divórcio”.
Suspeito esfaqueia ex de companheira
No dia 9 de novembro, Eduardo teria se envolvido em uma briga com o ex-companheiro de Paloma. Na ocasião, o homem foi esfaqueado. Em relação ao fato, o delegado esclarece que não tem ligação com o roubo ao banco.









