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Mentira, roubo e morte: casal comete latrocínio na Serra e é preso três meses depois

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, prendeu Jean Carlos dos Santos Jesus, de 38 anos, e Erika Lorena Guilherme Mendes, de 21 anos. O casal é acusado pelas mortes dos primos Gabriel Miranda Rocha, 24 anos, e Paulo Henrique Nascimento Miranda, 29, moradores do bairro José de Anchieta, na Serra. O crime aconteceu em 09 de janeiro deste ano, no bairro de Fátima, no mesmo município. A prisão ocorreu no dia 23 de abril, no bairro Riviera a Barra, em Vila Velha.

De acordo com a DHPP, o caso havia sido registrado como duplo homicídio, porém, após as investigações, foi constatado se tratar de latrocínio, que é roubo seguido de morte.

Registros das câmeras

Imagens feitas por câmeras de videomonitoramento mostram os quatro chegando em um carro modelo Ford Fiesta preto, próximo à rua do crime. Em seguida, um outro vídeo mostra quando o carro para mais a frente e o casal segue para a rua onde o crime ocorreu. Logo depois, o casal passa correndo e escondendo o rosto, mas uma outra câmera consegue registrar de outro ângulo, os dois num momento mais à vontade, sem cobrir o rosto.

O titular da DHPP, Rodrigo Sandi Mori, relata como tudo aconteceu. “O casal e os primos se conheceram em um bar, no bairro Cidade Continental, na Serra. Gabriel Miranda Rocha e Paulo Henrique Nascimento Miranda já haviam passado por diversos lugares, até chegar no bar onde o casal já estava. Os quatro se conheceram e ficaram jogando sinuca, consumindo bebida alcoólica e cocaína. Paulo Henrique se apresentava como policial penal, e mostrava arma de fogo no celular”, comentou.

Os quatro ficam no bar até cerca de 1h da madrugada do dia 09. Paulo Henrique, pensando que os quatro vão continuar na farra, oferece carona para o casal e o primo até a quitinete onde eles moravam, no Bairro de Fátima. Nesse momento, Jean decidiu, com a ajuda da namorada, roubar o carro e a arma de fogo. Jean, já havia entendido que PH não era policial, pela conversa, pela fala, mas ficou interessado nos bens do novo amigo.

De acordo com a polícia, eles saem do bar no Fiesta preto. Paulo Henrique vai dirigindo, seu primo no carona e o casal no banco de trás, com Erika, atrás do motorista. Chegando em Bairro de Fátima, Jean pede que Paulo Henrique pare o carro um pouco mais a frente, porque já sabia que havia câmeras no local.

Sandi Mori explica que, quando Paulo Henrique para o carro, Jean saca a arma calibre 9mm da cintura e anuncia o assalto, exigindo além do carro, a arma de fogo, que só existia no celular. “Gabriel se desespera, reage tentando sair pela porta do carona. A situação foge do controle, e entendendo que não consegue conter Gabriel que era mais forte, como relatou em interrogatório, Jean puxa Gabriel pela gola da camisa, e efetua o primeiro disparo que atinge a nuca e sai no rosto. Em seguida, aponta para Paulo Henrique e efetua um disparo que entra pela cabeça e sai na testa, atingindo o retrovisor”, relatou o delegado.

Confira o momento em que o casal é flagrado após o crime.

Os envolvidos

Jean Carlos dos Santos Jesus já responde por outras condenações criminais, sendo três por roubo majorado e duas por homicídio. “Estava evadido do sistema penitenciário quando recebeu o benefício da saidinha em 16 de novembro de 2021 e, desde então, estava foragido”, disse o delegado.

Erika Lorena Guilherme Mendes, namorada de Jean, contribuiu na estratégia do planejamento do crime. Já André Sthive dos Santos Rodrigues, conhecido como Dedé Tiroteio, está foragido. Ele comanda o tráfico de drogas nos bairros Sagrada Família, Argolas e Chácara do Conde em Vila Velha e foi o responsável pelo aluguel da pistola calibre 9 mm, usada no crime.

Jean e Erika foram indiciados por latrocínio duas vezes, por serem duas vítimas, e Jean foi autuado em flagrante porque durante as buscas no local onde os dois foram presos, foi apreendida munição calibre 9mm, compatível com a arma usada no crime. André foi indiciado pelo artigo 17 da lei 10.826, que corresponde ao comércio ilegal de arma de fogo.

“Foi decretada a prisão preventiva dos três e já foi recebida a denúncia pela 1ª Vara Criminal da Serra. O inquérito foi instaurado como duplo homicídio, mas percebemos que não seria execução em razão do local do crime. Nós constatamos que o atirador estava no banco de trás do veículo, foram dois disparos e na manhã seguinte à execução, começamos as diligencias e localizamos várias câmeras de videomonitoramento na região de Bairro de Fátima que mostram o trajeto percorrido pelo casal desde o local do crime até a residência deles, no bairro”, ressaltou Sandi Mori.

Mentira, roubo e morte: casal comete latrocínio na Serra e é preso três meses depois
André Sthive é procurado pela polícia – Foto: divulgação

Investigação

O delegado Sandi Mori contou que os dois criminosos escaparam no início. “Começamos a nossa investigação e identificamos a residência dos dois, mas ao chegarmos na residência, o casal já havia saído. Começamos um trabalho intenso de inteligência e chegamos na Riviera da Barra, onde conseguimos prende-los no dia 23 de abril. Eles foram conduzidos à delegacia e o casal confessou o crime com riqueza de detalhes”, declarou.

Os primos foram mortos para que o casal levasse o carro e a suposta arma, mas depois de efetuar o duplo homicídio, os dois fogem sem nada. “O casal fugiu porque estava com duas vítimas mortas e a arma não existia. Eles fogem para Chácara do Conde, onde Jean tem familiares e é de comando de Dedé, e ficam até o amanhecer, usando drogas e ingerindo bebida alcóolica”, detalhou o delegado.

Ambos foram indiciados pelo crime de latrocínio. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou os dois pelo crime de latrocínio e a juíza da 1ª vara recebeu a denúncia. “Vamos divulgar fotos do André. Fizemos várias incursões sem êxito, porque o advogado do André teve acesso aos autos e, por isso, ele fugiu. André tinha o hábito de emprestar arma para o Jean. No dia do crime, a arma foi alugada por R$ 100 reais. Essa prática era comum entre os dois. O André tem duas condenações por porte ilegal de arma de fogo, duas por roubo majorado e uma por homicídio”, explicou Sandi Mori.

Gabriel trabalhava numa fábrica de granito e Paulo Henrique era pedreiro. De acordo com as investigações, Paulo Henrique teve envolvimento com o crime há dez anos, mas atualmente era usuário de drogas e teve o “azar de se apresentar como policial para a pessoa errada”.

Mentira, roubo e morte: casal comete latrocínio na Serra e é preso três meses depois
Gabriel e Paulo Henrique foram mortos a tiros pelo casal preso – Foto: divulgação

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