Rússia ataca Kiev durante visita de premiê alemão, e Zelenski anuncia negociação trilateral com EUA

O som de sirenes de ataque aéreo e explosões ecoou na capital da Ucrânia, Kiev, neste domingo (4), enquanto o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, visitava o presidente Volodimir Zelenski, prometendo apoio e instando a Rússia a interromper seus ataques cada vez mais intensos.

Merz assinou, ao lado do ucraniano, um pacote de medidas que inclui a liberação de 1 bilhão em ajuda militar e 350 milhões para reparos no setor de energia, segundo autoridades do governo alemão. Também está prevista para a visita a finalização de um acordo para a produção conjunta de vários tipos de drones.

Os dois líderes visitaram o prédio gravemente danificado da Academia de Ciências da Ucrânia, onde pelo menos duas pessoas morreram em um ataque com drones na semana passada, enquanto a Rússia bombardeava o centro de Kiev com alguns dos ataques com drones mais persistentes desde o início da guerra, em 2022.

“Só posso repetir mais uma vez neste momento: [Vladimir] Putin, ponha fim a esta guerra sem sentido”, disse Merz. “Estamos prontos para negociações, estamos prontos para discutir o fim desta guerra, mas esses ataques bárbaros contra a população civil da Ucrânia devem cessar”, acrescentou.

Zelenski anunciou ainda neste domingo que os Estados Unidos querem organizar no final de outubro um novo ciclo de negociações trilaterais, com o objetivo de pôr fim ao conflito. “A parte americana está atualmente em contato com a Ucrânia e a Rússia e propõe organizar, de uma forma ou de outra, uma reunião em nível técnico, em formato trilateral, no final de outubro”, declarou durante uma entrevista coletiva.

Quatro alertas de ataque aéreo foram ouvidos em toda a capital na manhã deste domingo, e explosões e sistemas de defesa aérea também foram ouvidos por toda a cidade.

Um dos ataques russos atingiu a ponte do Norte, que atravessa o rio Dnipro, danificando a pista, informou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, no Telegram. Ele disse que o ataque feriu duas pessoas e danificou um sistema de abastecimento de água quente na área.
A Rússia vem atacando as pontes de Kiev desde a semana passada, em uma tentativa de interromper as conexões entre as duas margens da capital e as rotas logísticas entre o centro e o leste da Ucrânia.

Merz está acompanhado na visita pela ministra da Economia, Katherina Reiche, e por uma delegação econômica que inclui executivos da Siemens Energy, Hensoldt, Diehl Defence, Quantum Systems e outras empresas.

Espera-se também que Merz pressione o governo ucraniano para que haja avanços nas reformas solicitadas pelos parceiros da União Europeia, inclusive no combate à corrupção.
Zelenski afirmou na quarta (30), após conversar com Merz por telefone, que a Ucrânia finalizaria em breve um acordo com a Alemanha para a produção de drones, mísseis e software relacionado.

Espera-se que um dos principais focos do acordo seja a produção rápida de drones antiaéreos, que a Quantum, uma empresa alemã de tecnologia de defesa, testou com sucesso. Desde o verão, a Rússia tem utilizado diariamente dezenas de drones de ataque a jato de alta velocidade para atingir infraestruturas civis e militares.

Em abril, a Quantum e a fabricante ucraniana WIY Drones anunciaram a criação da Quantum WIY Industries, uma joint venture para produzir o drone interceptador Strila e tecnologias de defesa aérea relacionadas.

O acordo também envolve o desenvolvimento e a produção conjuntos de armas com alcance superior a 1.000 km, que a Ucrânia poderá utilizar para lançar ataques no interior da Rússia.

O Ministério das Relações Exteriores russo afirmou no sábado (3) que Moscou continuará a atingir sistematicamente alvos na Ucrânia, no que classificou como ataques retaliatórios às ações ucranianas contra a Rússia nos últimos meses. O ministério alertou cidadãos estrangeiros e funcionários diplomáticos contra a permanência ou viagem ao território do vizinho.

Zelenski disse à Reuters no sábado que as Forças Armadas de seu país intensificarão os ataques a refinarias de petróleo na Rússia em resposta à “nova doutrina” de Moscou de intensificar os ataques à infraestrutura civil, que, segundo ele, tem como objetivo forçar os moradores de Kiev e de outras cidades a fugir.

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