Com o anúncio desta quarta-feira (7), o Nobel repetiu um quadro comum em sua história: uma edição completamente masculina nas categorias de Medicina, Física e Química. É a 101ª vez que isso ocorre desde a instituição do prêmio, em 1901.
Considerando a última década, ou seja, de 2016 para cá, a premiação soma 9 láureas femininas e 76 masculinas.
Neste ano, foram laureados em Medicina o americano Karl Deisseroth, 54, e os alemães Peter Hegemann, 71, e Georg Nagel, 73, pela descoberta de canais de íon fotossensíveis, que contribuíram para o desenvolvimento da optogenética. Em Física, o prêmio ficou com o belga Francis Halzen, 82, por sua atuação na detecção de neutrinos de alta energia de origem astrofísica . E, em Química, ganharam o francês Henri Kagan, 95, e o japonês Kenso Soai, 76, por estudos que decifraram mecanismo para produção de medicamentos.
No ano passado, a única láurea para uma mulher em 2025 ficou com a americana Mary E. Brunkow, 65. Ela dividiu a de Medicina com mais dois homens, o americano Fred Ramsdell e o japonês Shimon Sakaguchi, por trabalhos fundamentais para compreender a chamada tolerância imunológica periférica. Os demais seis agraciados nas outras duas categorias científicas foram homens.
E não faz muito tempo que uma edição dominada por homens nas categorias científicas foi vista. Em 2024, o de Medicina ficou com Victor Ambros e Gary Ruvkun pela descoberta dos microRNAs; o de Física, com John J. Hopfield e Geoffrey E. Hinton, pioneiros da inteligência artificial; e o de Química, com David Baker, Demis Hassabis e John Jumper, por criação e identificação de estrutura de proteínas.
Historicamente, desde 1901, quando as láureas passaram a ser distribuídas, e levando em conta apenas as três categorias científicas, houve presença feminina em 21 anos de premiação. Ao todo, elas foram laureadas 27 vezes um total de 26 mulheres. Marie Curie (1867-1934) foi agraciada duas vezes, em Física (1903) e Química (1911) – ela ainda é a única pessoa a ter dois Nobéis em categorias científicas distintas.
Em comparação, foram 641 vezes no caso dos homens – quatro deles ganharam duas vezes.
POR PHILLIPPE WATANABE










