Um flagrante raro da fauna da Mata Atlântica chamou a atenção de ecologistas e biólogos no Sul do Espírito Santo. Durante uma caminhada realizada no dia 13 de setembro pela Trilha do Vale do Guarani, no distrito de Alto Norte, em Muniz Freire, integrantes do grupo Trilha de Formigas registraram em vídeo um exemplar de jararacuçu (Bothrops jararacussu) com uma pigmentação atípica conhecida como morph striped.
Ao contrário do padrão tradicional da espécie — caracterizado por manchas escuras e triangulares dispostas ao longo do corpo —, a variação genética faz com que os pigmentos da serpente se organizem em forma de listras contínuas. Biólogos consultados apontam a raridade de encontrar um indivíduo com essa característica fenotípica na natureza.
Descoberta e corredor de biodiversidade na Região do Caparaó
A particularidade no visual do animal só foi notada pelos trilheiros após a gravação das imagens. O registro ocorreu em uma propriedade privada aberta ao ecoturismo e que integra um relevante corredor ecológico de floresta preservada na região do Caparaó.
Segundo o proprietário do local, o servidor público Mário César Spadett, a preservação da área tem garantido o refúgio da fauna silvestre local:
“O local onde a equipe realizou o registro fica na Trilha do Guarani, dentro da minha propriedade, que é aberta para visitação, trilhas e contemplação da natureza. Por diversas vezes temos registros de animais silvestres da Mata Atlântica.”
A presença constante da fauna nativa na região foi evidenciada também por outro registro recente nas proximidades, onde moradores filmaram uma preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) — espécie ameaçada de extinção — atravessando a rodovia ES-181. Os episódios reforçam a relevância ecológica dos remanescentes florestais de Muniz Freire para a conservação ambiental do Espírito Santo.
Ecoturismo consciente: como agir ao encontrar cobras peçonhentas
Apesar do interesse biológico do flagrante, especialistas alertam para a importância da segurança em atividades ao ar livre. A jararacuçu é uma das maiores serpentes peçonhentas do Brasil e possui uma peçonha altamente tóxica.
Para praticantes de caminhadas e ecoturismo, as principais orientações de segurança incluem:
Manter distância segura: Ao avistar qualquer serpente, evite movimentos bruscos e jamais tente tocá-la, capturá-la ou provocá-la.
Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): O uso de calçados fechados, botas de cano alto e perneiras é indispensável em trilhas, reduzindo significativamente o risco de acidentes com animais peçonhentos.
Atenção onde pisa e apoia as mãos: Evite colocar as mãos em buracos, troncos ocos ou sob folhagens acumuladas.
Até o momento, não houve acionamento oficial de órgãos ambientais municipais para o resgate do animal, que permaneceu em seu habitat natural.










