Você sabia que 90% dos casos de cegueiras são evitáveis ou tratáveis, principalmente se são diagnosticados no começo? O Brasil tem cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 6,6 milhões de pessoas têm algum grau de deficiência visual.
Para celebrar o Dia da Saúde Ocular, nesta quarta-feira (9), especialistas destacam a importância de manter uma rotina de cuidados oftalmológicos e prevenir doenças que podem levar à perda parcial ou total da visão.
O cirurgião Cesar Ronaldo Filho alerta consultas periódicas consegue prever problemas. “Cerca de 90% dos casos de perda parcial ou total são previsíveis ou tratáveis por meio da realização de consultas regulares. Assim como cuidamos do coração, precisamos cuidar da visão. As consultas oftalmológicas de rotina não avaliam apenas nossa acuidade visual, mas permitem identificar problemas visuais silenciosos e assintomáticos no início, como o glaucoma, que hoje é uma das principais causas de cegueira no mundo”, alertou.
A pesquisa “Percepção dos cuidados e atenção com a saúde ocular da população brasileira”, publicada na Revista Brasileira de Oftalmologia mostrou que 11,4% dos entrevistados nunca tinham ido ao oftalmologista e 35% só o procuravam quando havia algum sintoma ocular ou visual. Outros 29,5% foram ao oftalmologista há mais de dois anos. Por outro lado, mais da metade dos entrevistados (55,8%) declarou ter algum problema de visão, sendo que 9,9% disseram ter catarata e 4,6%, glaucoma, principais causas de cegueira no mundo.
Além das idas anuais ao consultório do especialista, é importante estar atento a sinais como vista embaçada, olhos vermelhos, lacrimejamento excessivo, aumento repentino de grau, sensibilidade excessiva à luz, visão dupla, dor de cabeça constante e dificuldade para enxergar à noite, entre outras alterações.
“As principais causas de perda de visão entre os brasileiros são catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), a retinopatia diabética e erros refrativos, como grau de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Na maioria dos casos, o paciente só irá ter sintomas com a doença já avançada. O diagnóstico precoce é essencial para tratar a condição logo no início. Por isso as consultas são tão importantes, mesmo sem qualquer sintoma”, reforça Cesar Ronaldo.
O médico ainda lembra que a saúde ocular está diretamente ligada ao bom funcionamento do organismo como um todo. Destacou, por exemplo, que doenças sistêmicas, como diabetes e hipertensão, afetam diretamente os olhos.
Impactos na saúde mental
Por ser é responsável por mais de 80% das informações processadas no cérebro, os olhos estão diretamente conectados às emoções e à autonomia. Quando a visão começa a falhar, uma série de dificuldades podem ser desencadeados, com impacto no bem-estar físico, emocional e social.
Segundo o cirurgião do Hospital de Olhos Vitória, Cesar Ronaldo Filho, os idosos, por exemplo, podem ser os mais impactados. “A limitação visual nessa faixa etária tende a acelerar o declínio cognitivo por conta da redução nas atividades do dia a dia, do menor engajamento social e do aumento do isolamento”, ressalta doutor César.
De acordo com uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA), adultos com perda visual têm o dobro do risco de desenvolver depressão, quando comparados a pessoas com boa acuidade visual. Outro estudo, da BMC Ophthalmology, mostrou que pessoas com baixa visão tendem a relatar mais ansiedade em interações sociais, o que pode afetar diretamente a autoestima, especialmente em fases da vida em que aparência e aceitação exercem grande influência.










