Brasil registra menor taxa de mortalidade materna em 22 anos, segundo levantamento

A taxa de mortalidade materna no Brasil apresentou a menor taxa em 22 anos, saindo de 117,4 óbitos maternos a cada 100.000 nascidos vivos em 2021, período mais crítico da pandemia, para 54,5 óbitos maternos para cada 100.000 nascidos vivos em 2022.

No recorte para os Estados, o Espírito Santo também tem apresentado quedas significativas. Em 2023 foram notificados um total de 18 casos.

Apesar dessa mortalidade ainda ser problemática e precisar de muita atenção, nos últimos anos os números de registros do Estado foram considerados estáveis: 27 notificações em 2022; em 2021, 49; em 2020, 37. Uma realidade oposta a 2014, quando foram 386 mortes por cada 100 mil habitantes.

Os dados são de um levantamento feito pelo Observatório da Saúde da Umane, a partir de dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do DataSUS. A Umane é uma associação isenta e sem fins lucrativo de apoio a iniciativas no âmbito da saúde pública.

Embora esses números estejam dentro das metas da OMS (Organização Mundial da Saúde), que preconiza uma taxa abaixo de 70 mortes até 2030, ele ainda está longe do ideal. De acordo com o levantamento, apesar do  registro de queda, ainda existe uma grande desigualdade regional e de raça/cor das mortes.

Enquanto unidades da federação como Santa Catarina (33,6), Distrito Federal (36,2) e Rio Grande do Sul (39,7) têm as menores taxas, Roraima (145,2), Sergipe (98,2), Tocantins (88,7) e Piauí (87,6) têm as mais altas. Já a proporção de mortes por cor é de 67,1% (937) entre pretas e pardas e 29,5% (412) brancas.

No Espírito Santo, essa realidade também não é distante. No recorte de raça/cor dos últimos quatros anos, segundo o DataSUS, do total de 5.885 mortes maternas registradas no Estado capixaba, 3.554 eram de mulheres pretas e pardas, enquanto 1.657 dos registros eram de  mulheres brancas.

10 passos para a redução da mortalidade materna 

Brasil registra menor taxa de mortalidade materna em 22 anos, segundo levantamento
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a mortalidade materna é definida como a morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação. Segundo informações do Portal de Boas Práticas de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, da Fundação Oswaldo Cruz, tal mortalidade é considerada uma tragédia evitável em 92% dos casos.

Para a mestre em Saúde Coletiva e doutora em Enfermagem Márcia Valéria, as principais causas dessa mortalidade são hemorragia, hipertensão, infecções relacionadas à gravidez, complicações de aborto inseguro e condições subjacentes como HIV/AIDS e malária.

Segundo a especialista, não dá para atribuir a responsabilidade do cuidado pré-natal e prevenção de complicações do pós parto apenas às gestantes e famílias. “É necessário rever a forma como todos entendem e percebem a gestação como uma experiência positiva”, destacou.

Abaixo, confira os dez passos para redução da mortalidade materna, segundo a Fiocruz:

  1.  Garanta encontros de qualidade, centrados nas necessidades de cada mulher, durante todos os contatos com os serviços de saúde;
  2. Institua ações de profilaxia e identificação das síndromes hipertensivas durante o pré-natal;
  3. Realize triagem oportuna de infecções do trato geniturinário;
  4. Identifique precocemente sinais de gravidade clínica materna e garanta tratamento oportuno;
  5. Ofereça treinamento das equipes de assistência regularmente, para o pronto reconhecimento e condução dos casos de urgências e emergências obstétricas;
  6. Garanta o reconhecimento precoce e tratamento oportuno e adequado dos quadros de síndromes hipertensivas graves na gestação;
  7. Garanta o reconhecimento precoce e tratamento oportuno e adequado dos quadros infecciosos na gestação;
  8. Garanta o reconhecimento precoce e tratamento oportuno e adequado das síndromes hemorrágicas na gestação e puerpério;
  9. Reduza as taxas de cesariana desnecessárias;
  10. Garanta vigilância e assistência permanente no puerpério.

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