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Celebrar pequenas conquistas ajuda a regular humor e trazer bem estar

Vivemos em um ritmo frenético em que, muitas vezes, a nossa felicidade está sempre pautada na próxima conquista e meta a cumprir. Mas, e as pequenas conquistas? Por que não conseguimos celebrar nossas conquistas e como isso pode afetar nos afetar?

Marina Francisqueto Bernabé, vice-presidente do Conselho Regional de Psicologia da 16ª Região/ES, diz que o fato de não conseguir celebrar as próprias conquistas pode estar ligado ao que estamos entrando em contato.

“Às vezes podemos estar vivendo a vida no automático, sem entrar em contato com os próprios desejos, seguindo um protocolo social, e às vezes criamos uma expectativa de bem-estar e de felicidade ligados as expectativas idealizadas, sem olhar muitas vezes para si”, explica.

Isso pode estar ligado, por exemplo, a forma que organizamos a vida, pautada em expectativas, muitas vezes, alheias. “Estamos muito mais voltados à tarefa, ao cumprimento de um protocolo, do que olhando pras relações. Cada pessoa deveria voltar um pouco pra si e pensar: qual o sentido do que estou fazendo? Devemos perceber que a vida é o que estamos vivendo agora, neste momento”, frisa Marina.

A psicóloga diz que isso também pode estar ligado a uma grande auto exigência, podendo também ser ligada a família, amigos, trabalho, religião. “Nem todas as pessoas são felizes do mesmo jeito, as pessoas não gostam das mesmas coisas. Mas tendem a falar isso”.

Homens e mulheres

Homens e mulheres são cobrados de formas distintas, lembra a psicóloga. “Qual a cobrança de um homem pra ser pai? Qual a cobrança de uma mulher para ser mãe? A mãe é sempre cobrada muito mais do que os homens. Só que essa idealização internalizada pelo sujeito não é necessariamente construída por ele. São construções históricas sociais”, pondera a psicóloga.

Marina afirma que existem processos da própria pessoa que também são atravessados por questões sociais e que a exigência em relação a si mesmo está ligada a dinâmicas da própria pessoa. Sendo assim, é preciso buscar ajuda para entender o que está acontecendo.

“Dentro da psicologia, atuamos de forma a reconhecer o que se passa e encontrar um método de poder trabalhar isso, para que a pessoa consiga sair dessa dinâmica de sofrimento. Às vezes, por exemplo, uma pessoa pode estar muito bem numa carreira, mas será que ela é aquela carreira que ela queria? Supostamente, ela pode estar muito bem, mas será que ela queria estar casada? Quais são os sonhos da pessoa? Quais são os desejos daquela pessoa?”, questiona a especialista.

Mundo acelerado

O psicólogo e Terapeuta Cognitivo Comportamental, André Zonta, explica que estamos vivendo em uma era em que tudo está acelerado. A tendência é que isso acelere as pessoas também. “As pessoas estão sendo o tempo todo bombardeadas de informação em todos os aspectos, seja através das mídias sociais ou demais fontes. A questão é que tudo está acelerado”.

A prova disso, de acordo com o especialista, é que até um aplicativo de mensagem tem a opção de acelerar o áudio para ouvir mais rapidamente a mensagem e não “perder tempo”.

“Existe, hoje, a noção equivocada de que, quanto mais ocupado e mais na correria as pessoas estejam, mais produtivas estarão. Logo, as pessoas estão deixando de vivenciar momentos importantes e significativos que, por menores que sejam, são necessários a nossa vida”, diz o psicólogo.

Zonta explicita, muitas vezes, por conta dessa vida acelerada e corrida, as pessoas deixam de vivenciar pequenos momentos ou de reconhecer pequenas vitórias, por acreditarem que, para serem felizes precisam conquistar grandes objetivos e então poderão, realmente, celebrar.

“Quando você se permite celebrar pequenos acontecimentos na vida, que podem ser considerados como vitórias, você recebe uma descarga dos hormônios de serotonina e dopamina que ajudam a regular o humor, gerando sensações de bem estar. Seja uma promoção no trabalho, o filho que tirou uma nota boa na escola, ter conseguido praticar uma atividade física, estar com saúde”, comenta o terapeuta.

Para Zonta, a prática da gratidão pode ser uma excelente aliada nesses aspectos da vida. “Reconhecer o que você pode ser grato faz com que você consiga enxergar melhor no dia que, mesmo com dificuldades, existem situações que fizeram valer a pena”.

Para conseguir enxergar essas pequenas vitórias e comemorá-las, é importante estar cada vez mais voltado para o momento presente. “A vida acelerada faz com que você esteja sempre pensando na próxima coisa a se fazer e deixe de pausar para observar o que já fez até então no momento”.

O psicólogo e terapeuta afirma que é importante focar no presente e notar o que de pertinente aconteceu com você hoje. Quando não conseguimos realizar essas pausas para reflexões, pode acontecer esgotamento físico, mental e emocional, gerando crises de ansiedade, estresse, sintomas depressivos, burnout, dificuldades para dormir, auto cobrança e relações cada vez mais restritas.

Zonta diz que as comparações acabam ocorrendo, causando grandes desconfortos quando acessamos as redes e vemos outras pessoas aproveitando a vida. “Nunca será saudável comparar sua história de vida com a de outras pessoas. Logo, o mais importante é conferir, em sua jornada, o que você não está conseguindo enxergar. Pode ser que você descubra que tem sim o que celebrar e comemorar”, finaliza.

 

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