Um muriqui-do-norte, considerado o maior primata das Américas e ameaçado de extinção, foi avistado na Reserva Biológica Augusto Ruschi, no Espírito Santo. O registro foi feito durante uma expedição voltada ao monitoramento da saíra-apunhalada, uma ave também rara da Mata Atlântica.
O flagrante aconteceu no dia 28 de abril de 2026, enquanto a equipe do Programa de Conservação da Saíra-Apunhalada (PCSA) realizava atividades de campo. Segundo os pesquisadores, a presença do animal reforça a importância da proteção de espécies que ajudam a conservar todo o ecossistema ao redor.
A bióloga Andressa Hartuiq contou que o encontro chamou a atenção pela capacidade de adaptação do primata.
“O que mais me chamou a atenção foi perceber que um animal daquelas dimensões consegue viver em um fragmento florestal e encontrar recursos. Isso é uma prova da beleza da adaptação evolutiva”, afirmou.
Durante a observação, a equipe também identificou que o muriqui aparentava ser uma fêmea grávida, o que tornou o registro ainda mais significativo para os pesquisadores.
“Percebemos que era uma fêmea prenhe, um símbolo de esperança para a espécie”, disse o supervisor do programa, Victor Vale.

Foto: Andressa Hartuiq dos Santos
O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) está classificado como Criticamente em Perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), uma das categorias de maior risco de extinção.
Segundo os pesquisadores, acompanhar espécies como a saíra-apunhalada contribui para proteger toda a biodiversidade da Mata Atlântica. Com isso, ações de conservação voltadas para uma espécie acabam beneficiando diversos outros animais e plantas que compartilham o mesmo habitat, incluindo grandes primatas, anfíbios e espécies vegetais nativas.










