A preservação das tartarugas marinhas no ES ganhou um importante aliado com o balanço da última temporada de monitoramento. Entre 2025 e 2026, o Centro Tamar/ICMBio distribuiu 7.470 marcas metálicas — conhecidas popularmente como anilhas — para 27 instituições de pesquisa autorizadas. A ferramenta, aplicada desde a década de 1980 na costa brasileira, funciona como um documento de identidade essencial para proteger as cinco espécies que frequentam o litoral capixaba, permitindo mapear rotas migratórias, desovas e combater os impactos da pesca incidental.
Monitoramento em Guriri e o papel científico da Ufes
Produzidas em aço inoxidável e com durabilidade superior a 30 anos, as anilhas são inseridas nas nadadeiras dos animais e raramente se perdem. No Espírito Santo, esse monitoramento sistemático ganha força em praias estratégicas de desova, como em Linhares e na base avançada de Guriri, em São Mateus.
De acordo com a bióloga Nairana Santos Fraga, bolsista do Centro Tamar/ICMBio com doutorado em Oceanografia Ambiental pela Ufes, a leitura e a recaptura desses indivíduos geram séries históricas robustas. Os dados coletados em solo capixaba permitem identificar o crescimento dos animais, a sobrevivência, a fidelidade às praias onde nasceram e o intervalo de tempo em que as fêmeas retornam para botar ovos.
Rigor contra a ilegalidade e integração tecnológica
A distribuição das anilhas metálicas segue regras burocráticas rígidas de controle ambiental. De acordo com Kelly Bonach, analista ambiental e gestora da Base Avançada do Centro Tamar em Guriri, a liberação dos materiais depende da aprovação de projetos via SISBIO ou Ibama. Sem a devida licença e sem o envio dos relatórios para o Banco Nacional de Dados (BDCTAMAR), a atividade é considerada irregular e o fornecimento de novas marcas é cortado.
“O código padrão não se repete. Como as tartarugas marinhas são animais altamente migratórios, elas podem ser encontradas em diversas localidades do mundo com essa marca, tornando o Brasil uma referência em políticas públicas de conservação”, destaca o coordenador nacional do Centro Tamar, Joca Thomé.
Para contornar as limitações do método tradicional, como a dependência de recaptura visual, os pesquisadores integram a marcação de aço a tecnologias modernas. O cruzamento das anilhas com exames de genética populacional e o rastreamento via telemetria por satélite — que acompanha os animais em tempo real — eleva a precisão das estatísticas, refinando as estratégias de preservação do ecossistema marinho no Espírito Santo.










