Neste sábado (4), o Dia Mundial dos Animais de Rua chama atenção para um problema antigo e ainda longe de solução no Espírito Santo: o abandono de cães e gatos em áreas urbanas. Só na Grande Vitória, a estimativa é de que mais de 55 mil animais estejam vivendo nas ruas, sem acesso regular a alimento, abrigo ou cuidados básicos.
O cenário é mais crítico em municípios populosos da região metropolitana. Serra e Viana, por exemplo, concentram cerca de 15 mil animais cada, evidenciando a dificuldade de controle populacional e a alta taxa de abandono.
Além do impacto direto na vida dos animais, o problema também se reflete em indicadores de violência. Em 2025, o Estado registrou 625 ocorrências de maus-tratos, sendo que sete em cada dez vítimas são cães. Só no primeiro semestre, foram 277 casos — uma média de quase uma denúncia por dia. Entre as situações mais comuns estão negligência, agressões e abandono.
Especialistas apontam que a falta de castração e a guarda irresponsável estão entre os principais fatores que alimentam esse ciclo. Em muitos casos, animais são deixados para trás em mudanças de rotina ou períodos de férias.
Cavalos soltos nas ruas ampliam risco nas cidades
O problema dos animais abandonados não se restringe a cães e gatos. Em cidades como Cariacica, a presença de animais de grande porte soltos em vias públicas também preocupa.
Somente em julho de 2025, nove cavalos foram recolhidos em diferentes bairros do município após serem encontrados circulando em ruas e rodovias. Em outra ação recente, equipes da prefeitura resgataram quatro animais que estavam soltos na Rodovia do Contorno.
Segundo a administração municipal, há equipes atuando 24 horas por dia para recolher animais de médio e grande porte abandonados ou perdidos. A medida busca reduzir riscos de acidentes e garantir o encaminhamento adequado desses animais, que passam por avaliação veterinária após o resgate.
Casos de maus-tratos envolvendo cavalos também já foram registrados no município, reforçando que o abandono não atinge apenas animais domésticos tradicionais, mas também equinos utilizados em atividades de trabalho.
Criada para conscientizar a população, a data reforça a importância da adoção responsável e do compromisso contínuo com os animais. No Espírito Santo, o desafio segue sendo frear o abandono antes que ele vire rotina — seja nas calçadas, nos terrenos baldios ou até no meio das rodovias.









