Um projeto de alfabetização voltado a pessoas idosas em Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, encerrou suas atividades após cinco meses de encontros semanais com foco no uso da literatura como ferramenta de aprendizagem e autonomia.
A iniciativa reuniu participantes acima de 60 anos e utilizou a leitura literária, escrita e conteúdos do cotidiano como estratégia para o processo de alfabetização e inclusão educacional.
Alfabetização com base na literatura
O projeto, chamado “Ler para Crer”, foi realizado entre janeiro e julho de 2026, com encontros semanais na Praça CEU de Nova Rosa da Penha II.
Ao longo das atividades, os participantes tiveram contato com leitura literária, produção de textos simples e exercícios básicos de matemática. Entre as práticas desenvolvidas estavam a escrita de bilhetes e cartas, formação de frases, leitura de relógios e interpretação de textos do cotidiano, como bulas de medicamentos.
A proposta utilizou a literatura como ponto de partida para o processo de alfabetização, aproximando os conteúdos das experiências de vida dos participantes.
Autores brasileiros e leitura no cotidiano
As atividades incluíram obras de autores como Rubem Alves, Carolina Maria de Jesus, Djamila Ribeiro, Cora Coralina e Bráulio Bessa, além da escritora cariaciquense Cinthia Pretti.
A leitura foi trabalhada como forma de estimular interpretação de informações, autonomia e participação social, especialmente em um grupo formado por pessoas que, em muitos casos, tiveram pouco acesso à escolarização formal ao longo da vida.
Analfabetismo ainda atinge milhões de brasileiros
Dados da PNAD Contínua Educação, do IBGE, mostram que o Brasil registrou em 2025 taxa de analfabetismo de 4,9% entre pessoas com 15 anos ou mais.
Apesar da redução, cerca de 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabem ler e escrever, sendo a maioria formada por pessoas com 60 anos ou mais.
O dado ajuda a dimensionar a importância de iniciativas voltadas à alfabetização de adultos e idosos, especialmente em territórios periféricos.
Participação e permanência no projeto
Dos 18 participantes que iniciaram as atividades, 13 permaneceram até o encerramento. O grupo foi composto majoritariamente por mulheres idosas, algumas moradoras da região desde a década de 1980.
Entre os relatos, a alfabetização aparece associada a necessidades práticas do dia a dia, como ler textos religiosos, interpretar informações e ganhar mais independência no cotidiano.
Saúde e barreiras para aprender
Durante o desenvolvimento das atividades, alguns participantes foram encaminhados para atendimentos na rede pública de saúde após relatarem dificuldades de visão e audição.
As consultas foram agendadas em serviços municipais e estaduais, já que essas condições influenciavam diretamente o processo de aprendizagem.
Além dos participantes, o projeto envolveu uma bolsista da área pedagógica, moradora da própria comunidade, que acompanhou as atividades ao longo dos cinco meses.










